Andre Matos – O Maestro do Heavy Metal

Como uma fã de Andre Matos, que descobriu na adolescência um refúgio no som melódico do Heavy Metal produzido por bandas como Angra, Shaman e outras para seus muitos pensamentos dissociados do que via nos colegas de classes e até nas amizades, sempre muito introspectiva, ler a biografia desse grande maestro foi certamente revisitar essa fase da minha vida tão nostálgica. Não tenho vontade de reviver esses momentos, até porque, não foi uma etapa fácil da vida; mas guardo-a com muito carinho, por toda a construção de mim mesma que me levou a ser quem hoje sou. Andre Matos fez, e ainda faz, parte da minha vida de forma muito significativa.

Acho até que fui postergando essa leitura, que queria há muito fazer, porque eu sabia o quanto ficaria triste ao final. E realmente, eu voltei a sentir toda aquela tristeza que me acometeu quando veio a notícia do falecimento de Andre, no dia 08 de junho de 2019. Eu revivi meu momento de perda, como grande fã que sempre fui de Andre. Chorei horrores.

Andre foi realmente um astro do rock super carismático. Esse carisma ficou evidente para mim quando até meu filho, com menos de 2 anos completos, passou a pedir diariamente (sim) para que eu colocasse vídeos do Andre no Youtube. Sua forma de abordar o público, incitando-os a cantar e bater palmas, mesmo quando suas músicas eram desconhecidas é única no meu repertório de artistas musicais que acompanhei ao longo de toda minha vida, isso eu digo como alguém que cresceu ouvindo músicas de culturas completamente diferentes da nossa realidade, em pelo menos 3 diferentes idiomas: português, inglês e japonês.

Falando em filho, foi muito legal também conhecer o lado paternal de Andre, e hoje, como mãe, não consigo nem imaginar a angústia que ele sentia por ficar tanto tempo longe de seu filho Adrian.

Tantos mistérios que sempre rondaram a carreira musical de Andre são colocados no livro, mas não de forma dissecativa, o que acho positivo. Uma tentativa de não expor desnecessariamente outras pessoas de forma pública e, portanto, mais respeitosa, mas também sem cair numa idolatria cega que não expõe todas as falhas de que o maestro como pessoa que era, possuía. Isso também é manter uma postura de respeito, porque o trata como alguém de carne e osso, sujeito a erros e acertos, com altos e baixos.

Assim, quanto mais eu lia, mais eu ia também gostando de outros membros das bandas das quais ele integrou como vocalista, porque passei a enxergá-los também dentro de outras perspectivas que eu simplesmente não conhecia. Nunca fui de acompanhar os problemas que os “fãs” adoram tornar “tretas”. Eu sempre gostei do Andre pelas músicas, simplesmente. Se ele era uma pessoa muito reservada quanto à vida pessoal, para mim sempre funcionou de forma perfeita assim.

Mas saber das histórias de “bastidores”, digamos assim, me fez criar uma enorme admiração e respeito por Rafael Bittencourt, e também pelo Hugo Mariutti, que sempre foi muito fiel a Andre. Fiquei decepcionada, porém, com Ricardo Confessori, que eu já sabia que assinava a autoria da minha música favorita de Shaman (For Tomorrow), mas assim como Andre passou uma borracha no conflito que tiveram, eu me sinto à vontade para também deixar isso para lá e continuar admirando-o pelo seu talento como baterista. Luis Mariutti já tinha ganhado todo meu carinho, e é quem me fez inclusive a voltar a acompanhar as notícias da banda Shaman, por conta de toda interação que ele tem com seu público nas mídias sociais. Que cara bacana. Até assistir aos vídeos no Youtube, do Andre com o Yves e o Pit Passarell no tour de 2012/2013 da banda solo de Andre Matos ganha outro sentido. Agora toda vez que os vejo juntos fico muito emocionada.

As muitas flags coladas que essa leitura rendeu

É uma biografia excelente, dado o curto tempo que ele teve até seu lançamento. Há alguns erros de ortografia ou de digitação, mas que são totalmente relevantes, do meu ponto de vista. Acho que só pecaram pela falta de legendas nas fotografias. No final do livro os autores atribuem o crédito de cada imagem a pelo menos quem as cedeu, já que não dispõem de informações sobre quem realmente as fotografou. Mas ainda assim, acho que não seria pedir muito que fossem adicionadas as legendas. Não conheço os rostos dos empresários ou de alguns artistas e/ou amigos de Andre para saberem quem é quem nas fotos, por exemplo. Faltou esse cuidado. O livro não deveria ser pensado só em quem sempre acompanhou a carreira do maestro às minúcias de bastidores assim. Essa é minha única crítica negativa ao livro.

No mais, é uma biografia escrita de forma bem descontraída e acessível, o que acho muito bacana, já que era assim que Andre sempre se dirigia a seu público, mesmo com toda sua intelectualidade e refinamento, ele falava de forma clara e humilde. Nesse ponto, a biografia tem muita sintonia com a pessoa retratada.

Recomendo muito a leitura, tanto que já dei uma edição de presente para o meu irmão, a quem também influenciei já na adolescência a curtir a versatilidade e talento musical de Andre.

Dica: leia o livro com o celular e um fone de ouvido sempre a postos. Ao longo da leitura, todas as músicas citadas têm QR code para que o leitor possa apreciá-la da forma mais imersiva e interativa possível. Uma atenção que achei fantástica.


Dados Técnicos do Livro:

Capa dura:‎ 448 páginas
Autores: Eliel Vieira e Luiz Aizcorbe
Editora: ‎Estética Torta; 2ª edição (10 dezembro 2021)
ISBN-10: ‎6589087245 – ISBN-13: 978-6589087243
Adquira o seu exemplar preferencialmente no site da editora.

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