Tornei-me fã do trabalho de Liniers depois de trazer de uma viagem à Argentina um exemplar de Macanudo do quadrinista Ricardo Liniers. Eu não sei se vocês sabem, mas eu gosto muito de trazer, como uma espécie de souvenir, livros de autores dos países que visito, quando possível. Pode ser de um nome desconhecido, como livros de autores locais que trouxe do Canadá, mas também pode ser de um grande nome da literatura ou até mesmo dos clichês, não faço distinções. Muitas vezes essas aquisições se mostram uma grande revelação, e acabo conhecendo autores incríveis que vêm a se tornar favoritos. Liniers foi um deles.
E então, numa dessas idas despretensiosas à livraria aqui do meu bairro, encontrei na seção infantil esse livro de Liniers, com um título pra lá de curioso.

Eu tentei há alguns anos começar a coleção de Macanudo, mas pela dificuldade de encontrar alguns números já iniciais do quadrinho, a empreitada foi deixada de lado, embora minha admiração tenha continuado irretocável. Então, na livraria, admirada com esse encontro fortuito, nem olhei o conteúdo do livro, e simplesmente o trouxe para casa, junto a outro livro que meu filho havia pedido.
O mais notável dessa noite em que lemos ambos os livros, foi que tanto eu quanto meu filho gostamos muito mais de “Os sábados são como um grande balão vermelho” do que havíamos suposto que iriamos gostar. Ou talvez não houvesse muita expectativa mesmo – pelo menos da parte dele -, e acabou sendo uma leitura surpreendente. Para mim, já um pouco mais familiarizada com Liniers, foi satisfatório poder retomar meu contato perdido com a beleza singela existente em sua obra. Para meu filho, foi uma experiência diferente da fase que talvez ele esteja vivendo, com livros e histórias mais focados em ação e aventura. Liniers, com essa história, trouxe-lhe uma calmaria que conseguiu prender a atenção dele de um jeito muito especial, e pelo qual sou muito grata. Há uma delicadeza estampada em cada página que comunica emoções de um jeito descomplicado e ao mesmo tempo rico em nuances. É como o desenho que uma criança faz com esmero. Traços simples, passíveis de cópia, mas tão único em sua composição visual e cheia de detalhes.
No livro, duas irmãs (as filhas de Liniers) têm um sábado todo pela frente. Ou como gostamos de chamar aqui em casa, dia de descanso. Elas vão fazer o que crianças sabem fazer de melhor – brincar – mas então vem a chuva. E chuva nenhuma vai estragar o dia delas.
As irmãs, com sua simplicidade, mostram os encantos diários escondidos no dia a dia apressado, e por isso este livro é tão belo. É um convite para desacelerarmos e apreciarmos nosso entorno com mais leveza e contentamento. Sábados são como grandes balões vermelhos, flutuando descompromissados pelo ar. Mas bem que todo dia, pelo menos um pouco, poderíamos tentar diminuir nosso passo e olhar o mundo pela perspectiva dos olhos de uma criança. Muitas vezes, é assim que nascem as histórias bonitas de serem contadas.
Dados Técnicos do Livro:
- Capa dura: 48 páginas
- Autor e ilustrações: Ricardo Liniers
- Editora: VR Editora, 1ª edição (setembro 2017)
- Idioma: Português
- ISBN-10: 8550701343 – ISBN-13: 978-8550701349