Como mantenho o hábito de ler

De tempos em tempos sou surpreendida com mensagens no Instagram de pessoas que gostaram de ler determinado livro que indiquei, e sempre fico muito feliz com esse feedback. Mas recentemente, recebi uma mensagem muito especial, de alguém que me disse que justamente por ler um livro que indiquei, essa pessoa havia retomado seu hábito de ler. É um dentre mais de mil pessoas? Sim, mas é esse tipo de mensagem que mais me motiva a continuar trazendo resenhas (e compartilhando por lá também, onde, confesso, não sinto o mesmo prazer em postar que aqui).

E foi pensando nessa troca de mensagem que eu decidi fazer essa postagem. Para todas as pessoas que, por um motivo ou outro, deixaram de ler, mas desejam retomar o hábito, compartilho minha experiência pessoal de como tenho me mantido uma leitora ao longo de tantos anos, com altos e baixos.

  • Cada fase tem um horário melhor para ler

Durante a pandemia da Covid-19, foi o momento em que mais li, e acredito que nunca mais vou ler no mesmo ritmo. Porque, além da reclusão social forçada, eu estava grávida, e mesmo depois meu filho tendo nascido em plena pandemia e sendo mãe de primeira viagem, foi uma fase que era mais fácil ler, o mundo andava em um ritmo incerto e mais lento. Antes do nascimento do meu filho, eu revezava meu entretenimento entre TV e leitura, basicamente. Logo que meu filho nasceu, tirando talvez o primeiro mês ainda vivendo toda a novidade de cuidar de uma pessoinha tão pequena e delicada, um bebê recém-nascido faz vários cochilos e mama bastante. Eu sei que o olho no olho durante as mamadas são importantes, mas eu também aproveitei bastante para ler durante esses cochilos e mamadas. As noites também pareciam longas por causa das mamadas da madrugada. Nessas horas madrugada adentro eu também lia bastante, no celular ou no Kindle. E as luzes das janelas em outros prédios acesas no mesmo horário em que eu estava acordada amamentando me faziam companhia. Eu pensava “deve ter outras mães por aí amamentando seus filhos”.

Hoje meu filho tem 5 anos já, e até aqui, foram vários períodos diferentes. Logo que ele passou a dormir a noite toda, eu aproveitava a primeira hora da noite dele dormindo para ler, até que eu também ficava cansada e resolvia dormir. Hoje em dia, é o contrário, durmo mais cedo, praticamente logo que ele dorme, mas acordo mais cedo e leio pela manhã, até ele estar pronto para mais um dia. Essas leituras foram e são feitas também principalmente no celular. Os e-books salvaram meu eu-leitor por diversos momentos. Fato que aproveito para falar sobre mais essa questão…

  • …Mas entendi que nunca existe tempo livre pra ler

Apesar de eu dizer acima que cada fase teve seu melhor horário para ler, entendi que não existe hora marcada para ler, nem que devo ficar esperando encontrar tempo livre para isso. Mas se um livro estiver sempre à espreita, num braço do sofá, em cima da mesa de cabeceira, é mais fácil recorrer a ele quando bater um tédio em que você se pega mexendo no celular porque resolveu sentar um pouco, entendem o que quero dizer? Porque no final, ler 5 páginas por dia é melhor que ficar esperando aquela meia hora livre para ler que nunca aparece e se frustrar por não conseguir ler 50 páginas de uma vez.

  • Mantenho a mente aberta quanto ao formato do livro

Também, embora eu prefira ler livros físicos, eu diria que (ainda) hoje o grosso das minhas leituras é feito pelo app Kindle no celular. Carregamos o celular para todo lugar, certo? Caso não tenha o app, eu realmente recomendo. E ajuda muito deixá-lo na tela principal do celular e esconder outros apps de redes sociais, para “desautomatizar” a abertura deles em detrimento de uma oportunidade de tempo para leitura.

Estou numa fase que é muito mais fácil ler livros digitalmente, porque os livros físicos requerem mais tempo e espaço em casa, algo que não encontro muito no momento. Mas em intervalos do trabalho, numa espera num consultório ou só esperando o uber mesmo, dá para ler alguns parágrafos em vez de só scrollar a tela nas redes sociais.

  • Assino newsletters e blogs sobre livros

Assim como gosto muito de ler, também gosto muito de escrever, e isso sempre me fez acompanhar outras pessoas que escrevem também. Assino e sigo muitos blogs e newsletters voltados para livros e literatura, e quando algum texto me chama atenção para um livro, fica mais fácil, mais natural correr atrás dessa leitura.

Se você não tem o hábito de escrever e nem é dono de um blog, você pode assinar mesmo sem ter conta (basta informar e-mail, e tem muita coisa boa para ler e acompanhar gratuitamente.

  • Participo de um clube de leituras

Eu faço parte do Clube Namanita já tem algum tempo, uns 2 anos, talvez. Minha resistência em entrar era justamente porque eu pensava “mas eu já sou uma pessoa que tem o hábito de ler, por que eu deveria entrar num clube que incentiva a leitura?”. Mas a verdade é que alguns livros que estavam na minha TBR nunca encontravam sua vez de serem lidos, e quando eu vi que um desses livros seria uma leitura do Namanita, eu tomei como sinal para me inscrever. É pago, sim, mas acho que vale a pena. Descobri que a espera pela troca de ideias não só motiva a leitura como ainda nos entrega pontos de vista diferentes e que pode mudar completamente nossa impressão de determinada leitura. É mais fácil ler com outras pessoas, mesmo que cada um leia a seu ritmo, porque como há um prazo para ler, a gente faz mais questão de encontrar brechas durante o dia para ler. Lembram do que eu disse? Cada 5 páginas por dia conta mais que esperar a ter tempo livre pra ler.

  • Entendi que a gente muda

Acho que esse é um ponto muito importante. Porque quem gosta de ler às vezes vai ler um gênero que sempre funcionou mas pega um livro e não vai, pega outro e também não desce, mas acaba não entendendo que o problema não é necessariamente o livro, mas só que a gente muda, e nossos gostos também. Eu, por exemplo, sempre gostei de thriller, até que não gostava mais. Voltei a ler pontualmente, por indicações, porque vi que não é um gênero que me apetece como antes. É bom respeitar essa mudança. Em essência, claro, talvez nossos gostos literários nunca mudem. Sempre fui mais de leituras introspectivas. Mas eu conseguia buscar essa introspecção em gêneros que hoje eu simplesmente não tenho vontade de ler, então, por que insistir? Isso só faz a gente largar um monte de livros que não têm nada a ver com quem somos no momento, além de passar a sensação de não conseguir mais encontrar o prazer que a leitura costumava lhe proporcionar.


Enfim, essas são as coisas que entendi ao longo da minha jornada como leitora até aqui.

Você se considera uma pessoa que mantém o hábito de ler ou alguém que já leu mais e hoje acredita que não lê mais com o mesmo ânimo de antes, mas gostaria de retomar as leituras? Algumas das coisas que listei fez sentido para você?

Por fim, quais outras dicas você daria a quem também está em busca de readquirir o hábito de ler?

2 comentários

  1. Parabéns pelas dicas de leitura! Cada recomendação é um convite para uma nova jornada, um mergulho profundo em diferentes mundos. Que sua paixão pelas palavras continue a inspirar a todos nós a buscar mais, a ler mais, a viver mais. Tenha uma ótima semana e um ótimo feriado de Páscoa! 🙂🙏✨✍🏻📚🧚🏻‍♀️

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