Apesar de em geral eu trazer as resenhas dos livros que leio pra cá ou pelo menos pro Insta, nem sempre eu encontro tempo e disposição para falar de todas as minhas leituras, e vai ficando mais difícil falar delas conforme o tempo vai passando sem eu colocar em palavras minhas impressões. Assim, achei que talvez eu pudesse fazer uma postagem onde eu reunisse os livros que li e não resenhei, comentando-os bem brevemente.
Mas, ao separar os não resenhados, percebi que a maioria deles eram livros que li pelo Kindle Unlimited, e acabou que resolvi trazer um balanço dos meus poucos lidos do primeiro semestre pelo K.U. E por que não em forma de lista, que quase todo mundo ama?
- 108 – Surina Mariana

Me desculpem, mas não lembro onde eu peguei a recomendação dessa leitura. Algum Substack da vida ou talvez no Clube Namanita do qual eu participo? Sei que alguém comentou que tinha lido e curtido e estava disponível no K.U.. Fui atrás instantaneamente só para garantir o meu e acabei lendo tão logo o descobri. Foi uma leitura bem gostosinha, na vibe contemplativa, sem plot-twists e afins, bem estilo “slice of life” que eu amo tanto. Claro que tem sim uma jornada interna da moça da história, que está procurando seu lugar no mundo, só que o pano de fundo não é ela buscando conhecimento interno num café coreano, por exemplo, em estilo ficção de cura. Eu até acho que dá pra chamar 108 de “ficção de cura”, mas a protagonista realmente se busca entender num sentido mais transcendental mesmo, e boa parte da história se passa em um ashram, um retiro espiritual. É um bom livro para quem curte leituras mais introspectivas mas também se aventura pela espiritualidade.
- A crise da narração – Byung-Chul Han

Eu já havia tentado ler Byung-Chul Han pelo Unlimited uma vez, mas não rolou, e achei que aconteceria a mesma coisa aqui. Mas pelo contrário, dessa vez achei a leitura bem interessante e compreensível. O engraçado é que temos o livro físico em casa, mas na correria do dia a dia, eu acabo sempre sendo socorrida pela praticidade do Kindle App, então a leitura também foi mais possível por isso, penso eu. Talvez eu tivesse largado este também se fosse tentar ler a edição física, não por ser maçante. Na verdade, eu realmente curti e deixei muitas passagens marcadas, mas sinto que ele estar ali disponível o tempo todo comigo me chamou mais para a leitura, e lê-se rapidamente.
Como o nome do livro já diz, o filósofo sul-coreano se debruça sobre o tema da narrativa, e eu achei este um complemento bem legal pra minha leitura de “Sobre a verdade”. Hoje usamos tanto o termo “narrativa” como mero sinônimo de ponto de vista, que a narrativa em si torna-se disfuncional e tida coimo algo passível de mudança, perdendo seu “momento interno de verdade“. É o que ele chama de “uso inflacionário de narrativas” e denuncia nossa “crise narrativa”. Dá vontade nem de devolver o livro, sabe? Mesmo tendo ele na minha estante também.
- Se deus chamar não vou – Mariana Salomão Carrara

Esse foi um livro lido através do Clube Namanita, que, aliás, foi o debate mais recente do qual consegui participar, e ele foi em março (2026), salvo engano. Se deus chamar não vou tem uma criança como protagonista e narradora. Eu sou fã de narração partindo da perspectiva de uma criança ou somente como protagonista, mas quando une as duas coisas, sinceramente, tem que errar muito na mão para eu não gostar da leitura. Eu achei super bacana também os contrastes na história: uma menina cujos pais têm uma loja especializada em produtos para idosos, e a vida e a morte na história se opondo em alguns momentos marcantes. O livro ainda tem um terceiro elemento que pode incomodar mas também tira o leitor um pouco do convencional e bota ele para refletir.
- A outra filha – Annie Ernaux

De novo, quase todo mundo na minha bolha já tinha lido Annie Ernaux, e eu fiquei de fora. Até pouco tempo atrás. Depois de uma amiga minha ter lido e recomendado a autora aos quatro ventos, achei que minha hora de lê-la tinha chegado. Eu adorei a escrita dela, e entendo porque tanta gente também, de verdade. Nesse, a autora conta sobre a irmã que ela não conheceu, porque ela morreu ainda criança. Ela é de certa forma “assombrada” por uma pessoa que não está ali de verdade, mas com a qual é muitas vezes comparada, e talvez o livro (não fictício) seja uma forma de ao mesmo tempo devolvê-la a vida e enterrar um passado que não a deixam esquecer. O livro é tão curtinho que quando acaba a gente já fica querendo mais, mas eu fui sensata e resolvi ler algo completamente diferente, só para variar.
No momento estou lendo também pelo K.U. “A polícia da memória”, de Yoko Ogawa, e estou curtindo muito, porque aborda a memória pessoal e coletiva, e me fez lembrar muito dos temas que Kazuo Ishiguro aborda em alguns de seus livros. Também já faz um tempo que ando lendo “A História da arte sem os homens”, de Katy Hessel, mas esse eu leio de vez em quando, quando dá na telha, porque é um livro denso e sinto que não é desses livros para se pegar toda vez que se quer ler um pouquinho. Eu tenho muito disso com livros de arte e poesia.


Vocês leem livros pelo Kindle App? São assinantes do Unlimited? Isso não é um post publicidade, eu só gostaria de saber mesmo, uma curiosidade genuína, se as pessoas como eu, que querem ler, mas dispõem de pouco tempo, também acabam recorrendo ao Kindle e se, já que se lê majoritariamente por lá, se também acabam assinando o Unlimited para ter mais livros à disposição para ler.