Começando com uma informação pessoal tão ordinária quanto o tema do livro de Fabi Froes, eu passei a curtir o formato de “crônicas” por conta da maternidade. É um gênero textual que se amoldou tão perfeitamente à minha eu-leitora mas também que é tantas coisas ao mesmo tempo sendo mãe, que eu passei a buscar ativamente esse tipo de leitura em blogs e newsletters pela Internet.
Então, não foi nenhuma surpresa para mim o quanto “Mediocridade” dialogou diretamente comigo em muitos níveis. Eu me senti super à vontade por estar lendo algo na minha zona de conforto, que exceto pelas minhas necessidades ocasionais de deixá-la e me aventurar em algum tipo de leitura menos frequente por aqui, é exatamente o que sustenta o meu hábito de ler. Mas além de curtir crônicas, de um modo geral, Fabi Froes vem com essa bela proposta de elevar o “medíocre” para um status de maior prestígio, que é para mim também um tema que sempre abracei.
Eu sempre fui medíocre. Pelo menos no modo como Fabi Froes quer que encaremos a ideia de medíocre. Ela começa apresentando seu significado ao leitor, com base em dicionários e afins. Nada que o desabone. Mas, culturalmente, tendemos a levar “medíocre” como um atributo negativo, depreciativo até. E por quê?
O livro, portanto, traz textos de linguagem descontraída, mas muito bem escritos, e por vezes bem humorados, que tentam desconstruir essa visão pejorativa do medíocre e ordinário, mostrando o quanto a média é, na verdade, valioso e até desejável.
Há textos que eu curti mais, claro, como os que têm mais cara de relato pessoal (amo), em contraste com os que têm mais tom de conselho, mas todos têm sua carga de lembrete do quanto estamos todos apenas tentando viver o nosso ordinário cotidiano. E esse insistente apontamento faz valer a leitura. Porque, ao final, o ponto é que, ao abraçarmos aquilo que é “medíocre” em nós, nos aceitamos e nos amamos por inteiro. E isso já é ressaltado logo nas primeiras páginas do livro:
“Quando se pertence a algo bom numa idade em que pertencer é tão importante para se sentir aceito e parte de algo, isso define muitas camadas da sua autoestima e a maneira como nos socializamos e quão confortáveis ficamos em abraçarmos quem somos. É como se os reforços positivos tivessem sido colocados de tal maneira para nós que não precisamos mais reforçá-los: eles já são nossos.” p. 32
Eu amei ainda as muitas referências citadas no livro, e tive meus momentos da leitura com risadas, sim, mas de choros também, porque o sentimento que me une à autora não apenas quanto ao tema da mediocridade, mas também por aquilo que mais desejamos a nossos filhos é muito forte. E se esse desejo, de querer que eles encontrem pelo caminho pessoas boas como encontramos, é algo tão ordinário, então, eu vou sempre buscar o ordinário. É tão reconfortante encontrar outras mães por aí com as quais a gente se identifique, ainda que seja assim, através de textos e as maravilhas que os livros nos proporcionam, e não necessariamente pelos filhos frequentarem a mesma escola, por exemplo. A maternidade é um tema que eu abordo muito por aqui, mas com “Mediocridade” eu consegui acessar outros lugares dentro do meu papel de mãe, e foi uma experiência muito agradável.
Li o livro em companhia das queridas Jéssica e Karina, respectivamente das páginas @pegasoliterario e @shotdaspalavras, a quem agradeço pelas trocas de ideias, que sempre enriquecem qualquer leitura. Aliás, nesse nosso rápido e descontraído bate-papo pós leitura, cheguei à conclusão que se um dia eu resolver escrever um livro, seria algo nesse mesmo formato da Fabi Froes, crônicas, mas sobre algum tema diverso. Acredito que se um livro pode instigar em nós leitores essa vontade de escrever, a leitura foi mesmo cativante.
E aliás, como disse no início do post, que amo ler textos assim, não ficcionais, e com teor mais de relato, quem tiver uma página do tipo, por favor, deixe nos comentários!
Dados Técnicos do Livro:
- Capa comum: 176 páginas
- Autora: Fabi Froes
- Editora: IPE DAS LETRAS, 1ª edição, 11 setembro 2025
- ISBN-10: 6552397739 – ISBN-13: 978-6552397737
Livro recebido em parceria com a Oasys Cultural. Esta resenha representa a opinião sincera desta leitora, não se tratando de conteúdo pago.