Balzac e a Costureirinha Chinesa – Dai Sijie

Gosto muito de ler livros que me passem algo da cultura asiática, não apenas por ser descendente de japoneses. Na verdade gosto muito de conhecer um pouco sobre cada cultura, mas na minha última compra em que decidi procurar por algo diferente, acabei optando pela cultura asiática mesmo.

E o selecionado foi o livro Balzac e a Costureirinha Chinesa, de Dai Sijie. É uma história de ficção com forte inspiração autobiográfica.

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O protagonista, que em momento algum nos revela seu nome, e seu melhor amigo Luo, são dois jovens “intelectuais” que foram forçados a trabalhar no campo para serem “reeducados”, no auge da Revolução Cultural chinesa, época em que Mao Tsé Tung estava na presidência do país. Caso você leitor não seja um grande conhecedor de história, pode ficar tranquilo, pois o pano de fundo do romance é muito bem explicado pelo autor, com ares até, eu diria, MUITO didáticos:

O que é a reeducação? Na China vermelha, no fim de 68, o Grande Timoneiro da Revolução, o presidente Mao, lançou um dia uma campanha que iria mudar profundamente o país. As universidades foram fechadas, e os “jovens intelectuais” […] foram mandados ao campo para serem “reeducados por camponeses pobres”.

O narrador era filho de médicos, e o pai de Luo um dentista. Ambos os jovens são enviados a uma pequena aldeia localizada numa montanha da Província de Sichuan, montanha essa conhecida como “Fênix Celestial”, bastante distante da civilização.

Na época, ser instruído era praticamente considerado um crime. Nesse ponto, o autor é sarcástico ao descrever a passagem no livro em que nos conta os “crimes” cometidos pelos médicos, pais do narrador, e pelo dentista, pai de Luo. Dai Sijie tem também uma ironia aguçada que prende até mesmo o leitor menos interessado no contexto político da história, ironia que encontra seu ápice ao colocar seu narrador cogitando acerca dos motivos que levaram Mao a seguir essa política de repressão aos intelectuais. Obviamente, os livros naquela época culturalmente insólita, que não fossem os “manuais e o Livrinho Vermelho de Mao”, estavam proibidos.

Na pequena aldeia para a qual o narrador  e Luo foram enviados, eles conhecem uma bela camponesa, a “Costureirinha”, que é filha do alfaiate local, e também  a mais bela das moças de todas as aldeias da “Fênix Celestial”. Ambos ficam encantados com sua beleza, e passam a lhe fazer visitas frequentes, contando histórias de filmes a pessoas que nem sabiam “o que era cinema”.  Tudo muda, sobretudo para a “Costureirinha”, quando os dois jovens encontram uma mala cheia de livros, sendo “Úrsula Mirouët”, de Balzac, o primeiro livro que eles conseguem num sigiloso e custoso acordo de empréstimo.

Jovial, poético, bem humorado, e com um enorme talento para contar histórias, Dai Sijie vai nos trazer um romance muito agradável de se ler. Com apenas 164 páginas, o leitor vai imergir nas páginas, ter uma ampla visão de como era a vida dos “jovens intelectuais” que foram mandados aos trabalhos forçados no campo, e ainda se deliciar com o despertar do poder transformador dos livros. Uma leitura super recomendada para todos os amantes de livros!

Caso queira saber mais sobre o autor, ele está no Goodreads!

Vou deixar também o link para o site do Imdb, pois o livro teve adaptação para as telonas. Eu nunca assisti, mas estou muito curiosa! Alguém já assistiu? Recomenda?

3 comentários Adicione o seu

  1. Monica disse:

    Adorei. Fiquei com vontade de ler o luveo!!! 😍😍😍

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  2. Adicionado à lista de livros à ler.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Isa Ueda disse:

      É uma leitura bem rápida. Espero que goste, ainda que seja simples.

      Curtido por 1 pessoa

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