Leitura Conjunta: Drácula – Bram Stoker

Agora no mês de maio fiz minha terceira leitura conjunta, e a primeira do nosso recém-fundado Grupo de Leitores: Clube do Curinga. Não criamos uma conta ou perfil nem nada do tipo para o clube, mas eles seguem postados nos destaques nos stories dos IGs meu e da @leiturela, por enquanto. O selecionado, como vocês podem ver foi Drácula, de Bram Stoker. 

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Sinopse:

Conheça a versão original do vampiro que deu origem a inúmeras adaptações cinematográficas  que conhecemos do Conde Drácula. Inadvertidamente, Jonathan Harker, um agente imobiliário, é enviado à Transilvânia para consultoria e o auxílio no andamento dos trâmites burocráticos necessários para a compra de uma propriedade em Londres. O proprietário seria o próprio Conde Drácula. Com a compra feita, Jonathan Harker se torna uma peça dispensável ao Conde, mas o mal já estava feito, e o vampiro irá espalhar terror pelas noites londrinas. Neste ínterim, o Dr. Abraham Van Helsing, um especialista holandês em doenças obscuras, reúne um grupo de pessoas corajosas determinadas a pôr um fim nesse terror.


Sobre a leitura conjunta:

O livro foi selecionado pelo Rodrigo, do @rodrigoeoslivros, mas foi uma leitura bem mais “morna” a meu ver, que a de O Morro dos Ventos Uivantes. Explicarei o porquê.

Não sei quanto a vocês, mas assim como o Rodrigo, eu acredito que todo livro tem seu momento certo, assim como as pessoas que passam por nossas vidas. E ele compartilhou comigo o sentimento de que, não era a hora certa para esta leitura. Acontece, gente, acreditem. Eu li Drácula a primeira vez quando tinha apenas 13-14 anos. Era apenas uma adolescente e que tinha ainda muitas ilusões na vida sobretudo no que dizia respeito ao amor. Por sempre ter sido uma pessoa que se sentia muito sozinha, diferente, e que acreditava na força exponencial do amor de forma bastante ingênua ainda, quando me deparei com o estilo da escrita de Drácula eu me senti de certa forma acolhida. O livro é todo escrito em formato de diários, cartas, relatos e recortes de artigos de jornal.  Foi ao ver que tais fragmentos de pensamentos e fatos poderiam formar uma história como um todo que eu encontrei uma forma de dar vazão a tudo que se passava em minha cabeça, e comecei a escrever um diário. Primeiro à mão, e, mais tarde no próprio computador. Não tenho mais, obviamente, tais diários, mas o sentimento de refúgio prevaleceu de alguma forma. Ainda encontro na escrita a maneira mais sincera com que consigo me expressar. Sou tímida demais, e por mais que eu esteja trabalhando nisso desde que me entendo por gente, a verdade é que eu apenas aprendi a disfarçar melhor minha timidez, e não que algum dia eu deixarei de ser.

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Assim, é a segunda vez que li Drácula, e parte do encantamento, claro, mudou, porque eu também mudei. Continuo tendo um carinho enorme por este livro, que é um dos livros que mais me marcou em minha trajetória como leitora e, quiçá, como pessoa. Só que justamente por estar lendo o livro pela segunda vez, ele me causou uma enorme ansiedade. Eu não me lembrava de toda a história, e ele me manteve curiosa e interessada ao longo de toda a sua leitura, mas parte de mim sentiu uma ansiedade desconfortável, um certo “peso na consciência”, por saber que eu poderia estar lendo algo totalmente inédito. Isso me fez ler 4 outros livros ao mesmo tempo, o que foi uma loucura. Não foi a primeira vez que fiz isso, mas eu fazia justamente porque sofria dessa ansiedade. Eu havia melhorado bastante nesse ponto… até agora. Escolhi até ler o livro em inglês, para me sentir mais desafiada, mas não foi o suficiente para aquietar minha consciência.

Felizmente, é para isso que servem leituras conjuntas, para o desabafo e o mútuo estímulo. O Rodrigo me assegurou que essa ansiedade é completamente normal, e que ele mesmo sempre faz muitas leituras paralelas. Espero que agora com a leitura finalizada, eu volte a me manter calma.

Há um segundo motivo, porém, pelo qual esse livro significou tanto para mim. A primeira vez que ouvi a história do Drácula foi da boca de uma menina romena. Eu também era apenas uma menina na época, e fiquei bastante impressionada na época. Mais tarde, já adolescente, encantada com a escrita de Bram Stoker, vim a relembrar da história e apesar de todo o clima demoníaco que rondava o Conde, eu acabei me encantando também pelo estilo gótico, cuja influência vinha um pouco também das músicas que ouvia na época. Meu sonho era conhecer a Romênia. Cheguei até a estudar um pouco de romeno por conta desse interesse.

P.S.: ainda quero conhecer a Romênia, mas muitos países já passaram a me interessar mais desde então.


Minhas impressões sobre o livro:

Afora todos esses impasses com essa leitura conjunta, eu ainda coloco Drácula como um dos meus livros favoritos da vida, um clássico que seguirei recomendando a qualquer pessoa.

Embora seja um livro classificado como terror, ele é, provavelmente, um dos terrores mais sofisticados que já li. As descrições são por vezes horrendas, sim, mas talvez por ser uma história tão famosa, não parece assustar tanto hoje em dia. Acredito que na época em que ele foi lançado originalmente deve ter havido uma grande comoção e despertado arrepio nas pessoas, mas não é o caso agora. Porém, vejo-o como um livro de leitura obrigatória para qualquer pessoa que se diga fã do gênero terror. A escrita, produto da época também (1897), tem um estilo bastante elegante e formal, que ajuda a criar essa atmosfera sofisticada que falei, ainda que narre situações diabólicas, sendo o terror psicológico e a estética romântica elementos típicos da literatura gótica.

É um livro que me despertou, agora, numa segunda leitura, um sentimento de cara estima aos personagens, pela bravura e nobreza de seus personagens. Tantos homens amando uma mesma mulher, Lucy,  por exemplo, e todos agindo em nome do amor mais puro e do bem comum é a essência do romantismo na obra, a meu modesto ver. E ainda que algumas partes me pareçam piegas hoje em dia, é realmente prazerosa a mistura de sentimentos como o suspense e a esperança que brotam ao longo da leitura.

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Mina Harker é, ainda, uma das personagens femininas que mais admiro na literatura, e é bastante satisfatório para mim que essa mulher tão sagaz e brava tenha saído de um enredo cujo contexto se dá numa época sabidamente patriarcal. Pontos para Bram Stoker. Também gostei muito do personagem Van Helsing, ainda mais porque eu sequer lembrava que ele era holandês. Tenho um carinho muito grande por esta terra, e saber de sua origem fez com que ele se destacasse ainda mais para mim. Depois do próprio Conde Drácula, creio que ele seja o segundo personagem mais marcante da história. Suas expressões, que mudam completamente de um momento para o outro lhe conferem um carisma inusitado. Adoro encontrar personagens assim, tão bem descritos nos livros.

Foi bem interessante me utilizar desse leitura como um instrumento de análise da minha própria evolução como pessoa. Fico feliz de ter amadurecido tanto, mas ao mesmo tempo ter entendido por que o livro me impressionou tanto num primeiro momento. Se é verdade que fiquei muito ansiosa ao longo dessa leitura, também é verdade que valeu a pena. Era um livro que queria muito reler, e sinto-me agora com aquela sensação inegável de dever cumprido.

Aliás, já aproveito a oportunidade para convidá-los para a próxima leitura conjunta do mês de junho, que será do livro: A Livraria Mágica de Paris – Nina George. A escolha do livro foi da @jujuba.literária, e eu só de folheá-lo já sei que vou amar hahaha. Quem vem conosco?


Outras informações sobre o livro Dracula:

Caderno brochura – capa flexível: 368 páginas

Editora: Canterbury Classics, 1ª edição, 1º de setembro, 2012

Idioma: inglês

ISBN: 1607105519  – ISBN13: 9781607105510

7 comentários Adicione o seu

  1. Que texto lindo! Adorei saber dessa sua experiência com o livro e só me deixou mais ansiosa para realizar esta leitura. Achei esta edição bem linda também. Parabéns pela ótima resenha!♥♥

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  2. Nunca li o Drácula, embora tenha estudado muito rapidamente nos cursos de literatura que fiz ao longo da vida. Não sabia que ele era escrito de forma fragmentada e isso despertou a minha curiosidade. Fazer leituras conjuntas é algo que tenho vontade, porque nunca fiz. Acho que essa experiência de poder trocar com outra pessoa enriquece muito o repertório cultural do leitor.
    Um beijo,

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    1. Isa Ueda disse:

      Oi, Fê. Obrigada pela visita! É fragmentada do ponto de vista narrativo, mas é bem cronológico, e tudo se interliga de forma bem natural. Se quiser participar da nossa leitura conjunta de junho agora, seja bem vinda 😊

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  3. Oies Isa! Uau, eu gosto muito quando uma resenha traz a relação do leitor com o livro, as experiências pessoais, pq parece que o texto fica mais “real”, sabe? E super concordo com você: parece que cada livro tem um momento certo para ser lido, por isso tenho medo de reler alguns dos meus livros favoritos, pq tenho a impressão de que a Camila de hoje se frustrará, rs. Parabéns pelo projeto! Vai com tudo! Bjos da Cah ❤

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    1. Isa Ueda disse:

      Oi, Cah! Eu já reparei que os seus posts realmente têm um toque especial, com você contando suas experiências pessoais, e entendo o que vc quis dizer 😊 Sim, deixa vem autêntico e pessoal. Eu tive medo ao longo dessa leitura de me frustrar hahaha, porque fazia muuuuito tempo desde a primeira leitura, mas foi uma boa releitura, embora tenho receio de ficar fazendo isso com maior frequência e me frustrar hahaha. Obrigada pelo carinho de sempre! Bjos!

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      1. Oies Isa! Ai mulher, eu tenho essa “mania” pq uma das coisas que mais amo na literatura é a capacidade que ela tem de me tocar ❤ ❤ E ainda bem que o livro não te decepcionou! rs Bjos

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