Tipos Incomuns: algumas histórias – Tom Hanks

Minha última leitura de 2017 foi “Tipos Incomuns”, de Tom Hanks, sim, o ator. Para quem não fazia ideia, além de ator, diretor, roteirista e produtor, ele é escritor, com textos já publicados no The New York Times e na Vanity Fair e The New Yorker. Mas, este é seu primeiro livro. Ainda estreante e sem muitas ousadias, este é um livro de contos.

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Não sei quanto a vocês, mas, tirando os contos de fadas clássicos, eu não sou uma grande fã de contos, e confesso que fui atrás do livro por pura afeição ao Tom Hanks. Infelizmente, embora eu adore o ator, o livro não conseguiu mudar minha opinião sobre contos, e eu permaneço dizendo: não sou grande fã de contos.

Mas eu os leio. Porque nunca se sabe. Veja bem, o meu grande problema com contos é o apego. Eu me apego muito fácil a personagens, mas em contos, logo a história deles acaba. É frustrante. E eu discordo que o final de um romance é provável de causar mais decepção que um conto. Dizem que uma história mais longa cria também um vínculo mais longo com o leitor. Só que finais de contos raramente têm cara de final, e isso para mim é um dos maiores desprazeres da leitura: deparar-se com um final ruim. E comigo e os contos, tem sido uma longa relação de decepções.


Em “Tipos Incomuns”, Tom Hanks nos traz 17 contos ao todo, de variados formatos e épocas distintas, e alguns até apresentando os mesmos personagens. A diversidade de histórias, entretanto, encontra um elemento comum, que é uma das grandes paixões do ator, como colecionador: a máquina de escrever. Ela irá aparecer em todos os contos, ora sutilmente apenas mencionada, ora como uma figura de destaque. Certamente, para os colecionadores de plantão, essa veneração pelas antigas máquinas vem como um bônus da leitura. Para os de geração mais nova – alguns acredito que sequer puseram os olhos (ou os dedos) sobre uma máquina de escrever de verdade – é uma curiosa oportunidade de viagem pelo tempo, sobretudo se o leitor se permitir tomar um pouco de seu tempo admirando as fotografias de Kevin Twomey , que ilustram o livro com algumas máquinas de escrever.

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Dos 17 contos, gostei muito apenas de 8. Vou listá-los para vocês, na ordem da própria  disposição no livro:

  1. Bem-vindo a Marte (5º conto);
  2. Um mês na Greene Street (6º conto);
  3. Um fim de semana especial (10º conto);
  4. Estas são as reflexões do meu coração 11º conto);
  5. O passado é importante para nós (13º conto);
  6. Procure o Costas (15º conto);
  7. Nossa cidade hoje com Hank Fiset – sua Evangelista, Esperanza (16º conto);
  8. Steve Wong é perfeito (17º conto).

Não teve nenhum conto que eu desgostei, verdade seja dita. Alguns que, embora não estejam na lista acima, me fizeram rir, me deixaram ansiosa, curiosa e até despertaram meu sentimento wanderlust*, que é um dos sentimentos que mais gosto de ter ao ler livros, e só por isso, o livro já valeu para mim! (ALGUÉM ME LEVA PARA NOVA YORK?!!)

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Tom Hanks tem uma narrativa simples, tranquila e agradável, e que funciona bem para os diversos tipos incomuns de personagens que retrata em suas histórias; provavelmente fruto de sua próspera carreira como ator. E, como fã do ator, é muito legal conhecer esse seu lado escritor, mesmo que, como eu disse, ele não tenha ousado muito, limitando-se a  histórias curtas, sem margens para uma crítica mais profunda quanto à construção de seus personagens, por exemplo, e sem levantar polêmicas ao abordar um pouco do multiculturalismo em alguns contos. Não vejo problema algum nisso.

E Hanks sabe escrever, sabe contar uma história. Ele também tem um humor bastante leve, característico das situações cômicas do dia a dia, bastante naturais, corriqueiras e que, sim, ele demonstra habilidade para inseri-las em suas histórias.

Não é uma obra indispensável, mas numa época em que celebridades pelo mundo todo vêm publicando livros sem talento algum para a escrita (e que a gente tem certeza que não foram escritos por elas), é realmente um consolo se deparar com um trabalho de qualidade vinda de uma figura pública tão querida.

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*Wanderlust: pode ser traduzido como um forte desejo de viajar, explorar o mundo, descobrir novas coisas ao se deslocar.


Informações adicionais sobre o livro:

Capa comum: 352 páginas

Editora: Arqueiro; Edição: 1ª (15 de novembro de 2017)

Título original: Uncommon type: some stories

ISBN-10: 8580417805 – ISBN-13: 978-8580417807


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