Resenha: O Segredo da Dinamarca – Helen Russell

Não é nenhuma novidade que eu adoro conhecer novos lugares e novas culturas. Se puder conhecer in loco, melhor, mas quando isso não é possível, eu me contento muito bem com um bom livro. E foi assim que viajei entre dezembro/2018 a janeiro/2019 para as terras frias da Dinamarca, por meio dos relatos da jornalista inglesa Helen Russell no livro: O Segredo da Dinamarca.

p_20190104_080044_vhdr_on_1

Tudo começou quando o marido de Helen recebeu uma proposta de emprego da Lego, que dispensa apresentações, mas, caso ainda não saibam, é apenas a maior empresa de brinquedos do mundo. Eles moravam em Londres e viviam bastante sobrecarregados  por conta do trabalho e em meio a toda a agitação e correria das grandes cidades. Queriam ter filhos, mas além de Helen não conseguir engravidar devido à carga de estresse pela qual passava, nem teriam muito tempo para dar atenção às crianças.

p_20181210_093504_vhdr_auto

No começo, a ideia assusta um pouco Helen, mas seu marido — a quem ela passa a chamar de Lego Man — pede que ela ao menos considere a hipótese, já que não era um convite de se fazer pouco caso. Como boa jornalista que é, Helen foi logo fazer uma pesquisa sobre o país, descobrindo dados e estatísticas muito atrativos, por exemplo: eles são o país mais feliz do mundo, segundo o Relatório das Nações Unidas sobre a Felicidade no Mundo (p.18-19). Assim, quando viram, Helen já havia traçado um verdadeiro projeto “Felicidade”, e estavam de malas prontas para se aventurar em um novo território, com muita coragem.

O livro é dividido em Prólogo (Mudando de Vida: O projeto Felicidade), 12 capítulos com relatos e considerações mês a mês, um Epílogo (Made in Dinamarca) e As dez melhores dicas para viver como os dinamarqueses. Helen tem uma escrita bastante fluida, intercambiando humor na medida certa com dados estatísticos e curiosidades, estes, bem próprios de uma linguagem mais jornalística. Quem adora livros recheados de informações, mas com zero monotonia, vai se apaixonar por esse livro!

p_20181210_093714_vhdr_auto

Eu curto bastante este tipo de escrita mais bem humorada, embora livros de relatos em geral também me agradem muito. O Segredo da Dinamarca realmente possui muita informação interessante, algumas bem curiosas e divertidas (você sabia que existe uma média de 86 peças de Lego por habitante no mundo? — Conheço algumas pessoas que estão com certeza com a cota de mais de 100 pessoas, mas tudo bem), e eu dei bastante risada ao longo do livro, marcando todas curiosidades úteis ou que me chamassem a atenção; o resultado foi um “arco-íris” de post-its nele:

p_20190109_181641_vhdr_on
Nem tem tanto assim, vai?

O máximo que conheci da Dinamarca em uma legítima viagem foi em Solvang, que teve post no blog já. Do pouco que conheci, porém, ainda em solo americano, consigo entender por que Helen passou a amar o país, apesar de todas as suas estranhezas. No livro, Helen nos conta principalmente de suas aventuras na pequena cidade de Billund (ou “No Meio do Nada”, como a autora a apelida), mas também fala um pouco de outras cidades, como Copenhagen e Aarhus.

Ela também não deixa passar batido nenhum dos choques culturais que ela e o marido tiveram (e sempre com um toque cômico). Provavelmente, você irá surtar com algum deles. Nem tudo é perfeito, em nenhum lugar. Aprendam isso.

Ao fim, tiveram muitas curiosidades sobre o país que me assustaram um pouco, mas também fiquei boba de ver como tantas outras coisas funcionam às mil e uma maravilhas. Exemplos? Bom, aqui no Brasil tem crescido o movimento pet friendly, porque estamos cada vez mais conscientes das necessidades dos nossos pets, mas na Dinamarca, embora maus tratos a animais também seja crime, um animal é apenas um animal, e não há alarde nenhum quando, por exemplo, um animal do zoológico precisa ser abatido por ser “geneticamente inadequado para procriação”. Por outro lado, outras curiosidades, que tomamos por positivas, também são vistas com certo choque: a Dinamarca possui uma das menores jornadas semanais de trabalho do mundo (37 horas), porque os dinamarqueses querem poder passar tempo com seus filhos. Segundo Lego Man conta à sua esposa: “Não é necessário mostrar serviço”. E Helen completa a fala de seu marido informando o leitor:

“Se alguém gosta de bancar a vítima, ficando até tarde ou trabalhando demais, é mais provável que receba um folheto sobre eficiência ou gerenciamento do tempo do que solidariedade”. (p.72)

“Com as mulheres trabalhando fora, soluções para o cuidado das crianças se tornaram uma prioridade. Jornada de trabalho, creches e licença-maternidade foram padronizadas e a ideia de equilíbrio entre trabalho e lazer se estabeleceu. Agora isso é apenas alguma coisa que os dinamarqueses simplesmente esperam. As pessoas saem cedo na sexta porque elas querem passar mais tempo com a família”. (p. 82)

Enfim, foi uma leitura e tanto. Com ela, além de conhecer um pouco melhor da cultura dinamarquesa, eu:

  • Passei a pensar mais sobre o que me torna feliz;
  • Aprendi bastante sobre a Lego;
  • Fui introduzida a alguns conceitos que já tinha ouvido falar, mas nem sabia do que se tratava (o tal do Hygge, por exemplo, que agora quero ler livros sobre o assunto também — alguém mais já ouviu falar?);
  • Fiquei super curiosa para conhecer a Dinamarca e os seus promissores e deliciosos doces (snegles — será que têm sem glúten?),
  • Ouvi falar pela primeira vez da rainha Margrethe e fiquei feliz de saber de seu discurso sobre “os perigos de se pensar de forma estreita”;
  • E também passei a refletir mais sobre todas as problemáticas que uma mudança de país implica. Nas palavras de Helen: “Viver num outro país não é para os fracos”. No meu último post, que falava sobre minhas metas de leituras para 2019, falei que eu e meu marido temos o desejo de nos mudar do Brasil algum dia se possível, e acredito que embora seja um país diverso do que estamos cogitando, foi uma leitura ainda bastante proveitosa para nosso objetivo.

p_20181210_093628_vhdr_auto

E você? Também quer descobrir o segredo da felicidade dos Dinamarqueses? Atenção, este NÃO É um livro de autoajuda, mas sim jornalístico, algo mais próximo a uma série de artigos. Mas Helen nos faz a gentileza de listar ao final 10 dicas para você considerar/pôr em prática na sua vida, mesmo que você não more na formidável (e também um pouco esquisita, vai) Dinamarca. Não vou listar os 10 itens, porque quero que você realmente vá atrás do livro e o leia. Mas, só para dar um gostinho, vou citar as dicas que aparecem na contracapa:

Confie (mais)

Esse é o principal motivo da felicidade dos dinamarqueses, experimente. Você vai se sentir melhor e vai de poupar de um estresse desnecessário. Confiar nas pessoas ao seu redor pode fazer com que elas se comportem melhor, então isso se torna uma profecia autorrealizada.

Fique Hygge

Lembre-se dos prazeres simples da vida — acenda uma vela, prepare um café para si mesmo, coma alguns doces. Está vendo? Você já está se sentindo melhor.

Use o seu corpo

Pedale, corra, pule, dance, faça sexo. Mexa todas as partes dele. Usar o seu corpo não só libera endorfinas, mas também deixa você mais atraente, no estilo dinamarquês.

E a minha dica é: o livro é muito mais que essas dicas da contracapa. Leia-o! Vale super a pena!


Informações adicionais sobre o livro:

Capa comum: 368 páginas

Editora: LeYa; Edição: 1ª (28 de outubro de 2016)

Idioma: Português

ISBN-10: 854410472X – ISBN-13: 978-8544104729

Título Original: The year of living danishly

3 comentários Adicione o seu

  1. Bia Ribeiro disse:

    Lego Man kkkkk sensacional! Adoro textos bem-humorados! 🙂
    Já li alguns artigos sobre Hygge, é um conceito muito interessante ❤

    Curtido por 1 pessoa

    1. Isa Ueda disse:

      Sim, eu vou procurar livros agora sobre Hygge pra descobrir um pouco mais! 😊

      Curtido por 1 pessoa

  2. Monica disse:

    Enquanto lia o livro associei alguns detalhes culturais da Dinamarca a um passado não muito longe. Durante a adolescência dos meus filhos hospedamos um dinamarquês durante um mês.
    Estar fora do lar, mudar de país não é algo simples como parece. Requer inúmeras reflexões, até mesmo, tipo onde quero ser enterrado? Não há decisões certas ou erradas … cada um vê, sente, percebe “o mundo” de forma diferente … e assim, fazemos nossas escolhas …

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s