Justiça Climática – Mary Robinson

Sinopse:

Esperança, resiliência e a luta por um futuro sustentável. Justiça climática é a obra fundamental para compreender as questões climáticas da atualidade. Inclui prefácio da autora escrito especialmente para a edição brasileira.

Justiça climática é um livro escrito por muitas vozes, algumas delas vindas da Irlanda, do Quênia, da Lapônia, dos Estados Unidos, do Vietnã e de Kiribati. O que todas têm em comum são os relatos comoventes e reais dos efeitos da mudança climática na vida. Regimes de chuvas imprevisíveis, enchentes, tsunâmis, furacões, colheitas perdidas e florestas incendiadas: o fenômeno da alteração do clima no planeta Terra é verdadeiro e avassalador. Mas, para além de trágicas, essas vozes trazem esperança e resiliência.

“Mary Robinson, advogada, ex-presidente da Irlanda e enviada especial da ONU para mudança climática, é a responsável por reunir essas histórias, que recolheu pelo mundo durante os anos em que participou de debates e congressos sobre direitos humanos e clima. Mary Robinson é capaz de demonstrar o grande poder da troca, do diálogo e do encontro, e mostra como empatia, ações individuais e locais podem se tornar exemplos de quais caminhos seguir para ter um mundo mais justo e sustentável.

Justiça climática tem edição especial, com prefácio inédito da autora, escrito especialmente para o Brasil. Esta oportuna publicação é fruto da parceria entre a Editora Civilização Brasileira e as ONGs Instituto Alana e LACLIMA, instituições atentas à importância de levar este relato urgente e esperançoso a todas as pessoas.”


Minhas impressões sobre a leitura:

Como alguém formada em Direito, considero muito importante estar sempre atualizada em algumas áreas que me despertam interesse, e sustentabilidade é uma delas. Por isso, foi com uma grata surpresa que recebi o livro “Justiça Climática” e pude aprender mais sobre o assunto. Sim, foram muitos os aprendizados gerados por esta leitura, a começar pelo título, porque eu nunca tinha me deparado, até então, com o termo “justiça climática”, mas que, após a leitura, me pareceu muito natural e até óbvio.

Justiça climática é um movimento que considera as mudanças climáticas e seus impactos mais especificamente em grupos marginalizados e/ou minoritários, seja por serem comunidades mais pobres, seja por se tratarem de grupos de pessoas que vivem em zonas rurais, ou ambas as situações, e que apesar de serem os menores responsáveis pela degradação ambiental, são os que mais fortemente sentem seus efeitos. Além disso, trata-se de um movimento que visa a promoção da justiça social, e não apenas encara as mudanças climáticas como um problema ambiental. Assim, defendem o fim do racismo ambiental e do classismo ambiental, e acreditam no poder do impacto das próprias pessoas e suas comunidades.

Justamente pela importância dada às ações das próprias comunidades, o livro, organizado por Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda, reúne relatos de pessoas oriundas de grupos marginalizados que com seus feitos, alcançaram grande mobilização primeiro dentro de suas comunidades e foram ganhando vozes, inclusive internacionalmente, em Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Os relatos são todos extremamente interessantes, não só pelas realidades diferentes ali narradas, que a maioria de nós provavelmente desconhece e sequer considera, mas também por trazerem a causa ambiental realmente para mais próximo de nós. Quando pensamos em problemas ambientais, é muito comum pensarmos apenas nas grandes corporações, nos impactos que elas geram e como afetam o planeta como um todo. Mas massificar demais um problema, acaba por nos distanciar demais do assunto. Os relatos trazem humanidade, e não só às pessoas que contam suas histórias, mas mostra como as demandas pelos problemas ambientais são intimamente nossos também. Ou seja, levam a humanidade para o foco no problema. E percebam que eu disse foco no problema e não do problema. Pois, se somos nós, seres humanos, os principais agentes que degradam o meio ambiente, os comoventes relatos deste livro nos mostram que além de sermos também parte da solução dos problemas, a nossa dignidade humana tem que fazer parte dessa solução.

Estes dias atrás trouxe um post no meu Instagram, falando um pouco sobre o livro, então, deixei o post abaixo para quem quiser ler um pouco mais a respeito, e, para complementar, vou deixar alguns trechos do livro. Ah, e no final, deixei um link para vocês calcularem suas pegadas de carbono de 2021. Acho que o legal nem é o fato de que depois você pode compensar pela sua pegada de carbono. Acho interessante o fato de a “calculadora” transformar isso em valor monetário (que, infelizmente, a gente parece compreender melhor) e dar um parâmetro mais “concreto” do nosso impacto no meio ambiente. Não estou divulgando para que seja feita a compensação de ativos depois, mas para gente pensar o que a gente pode fazer no nosso dia a dia para ir diminuindo nossa pegada de carbono.

E é isso, espero que tenham gostado.


Trechos selecionados:

“O mundo agora está passando por outra crise, a da Covid-19, que traz valiosas lições sobre a maneira como podemos enfrentar a crise climática. […] sabemos que o comportamento humano coletivo é fundamental, por ter sido a única coisa que nos protegeu até começarem a ser implementadas as vacinas. Precisamos de mudanças comportamentais em todos os níveis para fazer a transição para um mundo sustentável, com uma economia circular e sem desperdício.”

“Se você acredita ou não, se você vai fazer alguma coisa sobre isso ou não, nosso destino está selado,” [diz Anote Tong, ex-presidente de Kiribati, sobre o nível do mar estar subindo e engolindo suas ilhas no Pacífico]. “Em algum momento deste século, a água vai estar mais alta que o ponto mais alto de nossas terras.” […] “A migração com dignidade é uma estratégia real […]. O que há de novo nesse conceito é sua aplicação para a migração induzida pelo clima. Quero que a migração de nosso país seja um processo indolor, talvez mesmo um processo feliz, para aqueles que escolherem partir. Eles vão por mérito. Nós os prepararemos.”

“O objetivo não é fazer ninguém se sentir culpado. O que interessa é fazer cada um sentir que estamos juntos nessa, todo mundo tentando fazer o melhor. Não dá para simplesmente arrancar os cabelos ante os efeitos da mudança climática. É preciso simplesmente começar, fazer uma coisa, que por sua vez leva a outra, e de repente você se dá cona de que está vivendo de outra maneira.”


Sobre a autora:

Foto: Wikipedia

“Mary Robinson foi a primeira mulher a chegar à Presidência da Irlanda, de 1990 a 1997, e foi nomeada alta comissária da ONU para direitos humanos de 1997 a 2002, durante o primeiro mandato de Kofi Annan. Robinson foi presidente honorária da Oxfam de 2002 a 2012 e coordenou várias iniciativas, como a GAVI Alliance, a vacinação de crianças ao redor do mundo e o Council of Women World Leaders [Conselho de Mulheres Líderes Globais], que fundou. É membro do The Elders [Os Anciões], um grupo independente de líderes globais, reunidos por Nelson Mandela, e da American Philosophical Society [Sociedade Filosófica dos Estados Unidos. Recebeu inúmeros prêmios e homenagens, incluindo a Medalha Presidencial da Liberdade dos Estados Unidos e os prêmios pela paz Indira Gandhi e Sudney Peace. É presidente e fundadora da Mary Robinson Foundation – Climate Justice.”


Calcule aqui sua pegada de carbono. Caso você não saiba o que é pegada de carbono, recomendo a leitura deste artigo, publicado no site da eCycle.

Aqui em casa já fizemos descarte pelo eCycle. Às vezes queremos nos desfazer de coisas em casas, mas que não temos ideia de como proceder. Vender é uma boa, mas nem sempre uma opção (às vezes não há interessados), doar também é muito interessante, mas a gente queria descartar um pedaço de tábua com fórmica que tinha aqui em casa, que era parte decorativa da nossa cozinha planejada. Um dia essa viga de madeira caiu, e ficou um bom tempo simplesmente encostada atrás de uma porta aqui em casa. Quando Naoki, nosso filho, começou a engatinhar (e portanto, logo estaria andando), achamos que não seria seguro deixar aquela tábua enorme atrás de uma porta pela qual ele vivia passando, e então comecei a pesquisar em como me desfazer dela. Foi aí que encontrei a solução no eCycle, em que eles viriam recolher o material, mediante pagamento de uma taxa. Junto também descartamos duas cadeiras dessas de pinus, que estavam quebradas e já haviam passado por algumas manutenções, mas no fim, não aguentaram. A eCycle cuida depois da melhor destinação para o material a ser descartado, seja para reciclagem ou doação.

Enfim, foi caro, sim, mas minha consciência ficou muito tranquila. Acho que se posso pagar por isso, é o que preciso fazer mesmo. Se você tem condições de também bancar pelo descarte correto de materiais na sua casa, saiba que você está promovendo um pouco que seja de justiça social. E para entender melhor do que estou falando, fica a indicação do livro deste post. 🙂


Dados Técnicos do Livro:

Capa comum: ‎ 192 páginas
Autora: ‎ Mary Robinson
Editora: ‎ Civilização Brasileira; 1ª edição (25 outubro 2021)
Tradução: Leo Gonçalves e Clóvis Marques
Título original: Climate Justice
ISBN-10: ‎ 6558020432 – ISBN-13: ‎ 978-6558020431
*Exemplar recebido como cortesia do Grupo Editorial Record, referente à parceria de 2021.
Adquira o seu preferencialmente através do site da editora.

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