A Verdade e A Vertigem – José Vieira

Sinopse:

“Com uma prosa límpida e de extraordinária força emocional, José Vieira revela o seu talento para dissecar o lado mais sombrio da vida em narrativas desconcertantes que sondam a alma humana e entrecruzam felicidade, tristeza, amor e traição. Repleta de realismo e sensibilidade “A Verdade e a Vertigem” é uma obra envolvente em que o leitor se enreda nas histórias secretas dos protagonistas, nos dilemas e ardis onde se perdem em sinuosos caminhos de fuga.”


Minhas impressões:

“A Verdade e A Vertigem” é o mais novo livro de José Vieira, pseudônimo da escritora Teresa Vieira Lobo. A autora portuguesa nasceu em Gaula, na Ilha da Madeira e estreou como escritora em 2014. “A Verdade e A Vertigem” é o seu oitavo livro e traz contos que, numa palavra, eu os resumiria como intensos.

A certeza dessa intensidade já me ocorreu logo que concluí o segundo texto, e, curiosa, segui a leitura dos demais, perguntando-me que narrativas ainda me aguardavam e quais sentimentos eles provocariam em mim: choque, identidade, solidariedade, tristeza?

Numa rápida leitura, possibilitada não somente pela brevidade das páginas escritas, mas também pela poderosa concisão de seus contos, encarei todos os sentimentos acima listados, mas encontrei mais ali. Em seus microcontos, deparei-me ainda com ironia, essa que habita os mais diversos relacionamentos humanos; encontrei críticas à sociedade machista, que transforma mulheres em bonecas de porcelana e que não prepara leitor algum para plot-twists cruéis. Encontrei também dilema, dividida entre desfechos que abrigam, de um lado, a infelicidade, e do outro, a liberdade. Aliás, a liberdade é um tema recorrente no livro, ambígua em “Luto”, mas de uma loucura extrema em “Olho por olho”.

E fui surpreendida também, embora, sinceramente, talvez não devesse. Na sinopse do livro, acima, fala-se de narrativas sobre o lado mais sombrio da natureza humana, onde se entrecruzam felicidade e tristeza. Ao preparar meu espírito para adentrar esta leitura, preocupei-me com a face sombria que habita nossa espécie, mas me esqueci completamente de toda a beleza contraditória coexistente. E foi com um prazer sutil — desse que temos durante nossas leituras —, que experimentei a beleza gratuita de “Amor austero”. Gratuita porque ali a tristeza não lhe atravessa, não cobra sua contraprestação, o que ocorre em “O esquecimento”, onde sua graciosidade é coberta por um manto melancólico.

Esta foi uma leitura muito breve, porém muito rica. Suas narrativas abarcam tantos sentimentos tão velhos conhecidos nossos, que, mesmo quando viscerais, capazes de nos provocar uma vertigem, ainda que da alma — ou da moral —, não deixam de serem reais. Assim, o título me parece muito apropriado, além de bastante simbólico de nossa complexidade humana.

No mais, indico muito a leitura para quem, assim como eu, se encontra num desses impasses comuns da vida de leitor, em que queremos ler, mas nada nos apetece e as leituras acabam abandonadas. Existe algo mágico no ato de se finalizar um livro que impulsiona novas leituras. Por ser uma leitura rápida e satisfatória, talvez o sentimento de completude faça as engrenagens se moverem por aí em busca do próximo livro. Funcionou por aqui.

O lançamento do livro acontecerá no dia 07 de maio, mas já está em pré-venda no site da editora. Disponível na versão física e em e-book.


Dados Técnicos do Livro:

Capa comum: ‎ 42 páginas
Autora: José Vieira [Teresa Vieira Lobo]

Editora: ‎ Emporium Editora (março de 2022)
Idioma: Português de Portugal
*Exemplar recebido em parceria com a autora, em formato PDF.

Adquira o seu preferencialmente através do site da editora.

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