Conheci o trabalho de Oliver Jeffers através dos livros infanto-juvenis de John Boyne, para quem o autor e ilustrador ilustrou algumas capas e livros. Mas seu nome ficou um tempo no limbo, até que me tornei mãe, e seu nome voltou a me chamar a atenção. Na época que topei pela primeira vez com seu nome, eu só sabia que ele ilustrava livros, mas não sabia que era autor também. Mas nessa vivência da maternidade, a gente passa a seguir muitos outros perfis de mães leitoras no bookstagram, e acaba conhecendo muita coisa legal, não é mesmo? Foi assim, acompanhando o Insta @oslivrosdaalice_ que eu descobri livros de autoria de Jeffers.
Então, quando estávamos no Rio de Janeiro e fomos conhecer a Livraria Pequeno Benjamim, e vi nas prateleiras “O coração e a garrafa”, foi como se o livro estivesse acenando para mim. Não foi uma escolha, portanto, do Naoki, mas minha, mas já fizemos sua leitura juntos aqui algumas vezes. Aproveito para dizer que o público-alvo do livro é de crianças maiores, acima de 6 anos, talvez, mas as imagens prenderam a atenção do Naoki e foi tudo o que precisei para me sentir à vontade para guiá-lo nesta leitura.
Minhas impressões sobre o livro:
“O coração e a garrafa” é uma pequena história com um grande aprendizado, já trazido em muitas outras histórias: o do ciclo da vida. Nas entrelinhas, temos outros grandes temas como o luto, o amor, e o “crescer”.
Talvez fosse melhor dizer que o livro aborda o fato de que muitas vezes não nos permitimos sentir, sobretudo a dor, e o luto, esquecendo-nos de que, em grande parte, sentir também significa viver. A menina que estava sempre a brincar e a compartilhar seus encantos com seu avô, um dia se depara com sua poltrona vazia. A menina resolve guardar seu coração numa garrafa, deixando-o a salvo dos “perigos” da vida. Mas então, ela cresce, e aos poucos tudo foi perdendo a beleza. Até que algo acontece e ela quer voltar a sentir; começando pelas coisas pequenas.
Dizer também que são as coisas pequenas que importam talvez seja um grande erro. Talvez elas não sejam tão pequenas assim. Afinal de contas, são de partes pequenas que somos todos constituídos. Cada átomo, cada célula em nós, forma nossa corpo. E cada gesto, cada mania, o jeito de sorrir, de sentar, de falar, de ouvir, de olhar, faz de nós quem somos. É assim que nos lembramos das pessoas: pelos detalhes.
Este foi um livro muito lindo, e que, confesso, foi dificílimo esconder a voz embargada ao lê-la da primeira vez com Naoki. Mas, como havia dito, ele conta sobre o ciclo da vida, mostrando que um dia, aquela mesma poltrona vazia, pode ser ocupada por outra pessoa, com a sua própria história, mas repleta de memórias daqueles que vieram antes, mas para isso, é preciso sempre nos permitirmos viver; e viver muitas vezes se confunde com sentir, e vice e versa.
Dados técnicos do livro:
- Capa dura: 32 páginas
- Autor e ilustrações: Oliver Jeffers
- Editora: Salamandra; 1ª edição (1 janeiro 2012)
- Tradução: Tatiana Maciel
- ISBN-10: 8516075761 – ISBN-13: 978-8516075767
A sua resenha é impecável. Aguça a curiosidade e faz a gente querer ler o livro.
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