Nossa viagem a Tallinn, Estônia

Você conhece a capital da Estônia, Tallinn?

Ela é conhecida como o Vale do Silício europeu. Muitas startups estão surgindo por lá, atraindo pessoas de fora em busca de oportunidades.

É um destino talvez não muito comum, mas já adianto, vale muito a pena. Dá para se virar bem com inglês por lá, e hoje em dia temos Google Tradutor, né?


O que fazer em Talin?

A capital da Estônia, Tallinn, ou Talin, é pequena para nossos padrões. Ela tem uma população de aproximadamente 461.400 habitantes. E sua região metropolitana é estimada em 646.563 habitantes.

Considerando que minha cidade (Londrina – PR) tem 577.318 habitantes, e não é capital nem do próprio Estado, Tallinn é uma capital facilmente navegável para nós. Na verdade, embora a população seja pequena, praticamente 1/3 da população da Estônia vive na região metropolitana de Tallinn. Assim, se você se hospedar na região central ou em Old Town, os principais passeios na cidade podem ser feitos a pé.

Eu deixaria 2 dias para visitar Old Town com calma. Há opções de passeios para todos os gostos. Dos que curtem atrações mais turísticas, aos que curtem passeios mais culturais.

Em Old Town, eu acho que vale muito a pena:

Passar pelos portões de Viru, Viru Väravad:
Munkadetagune torn:

E do Viru Väravad, subir na Munkadetagune torn (é a torre mais barata – custando apenas € 4 euros por pessoa). Tem zero acessibilidade, ok? Mas acho que é a primeira parada obrigatória para quem puder subir.

Os degraus são difíceis de subir, , pois são irregulares (em blocos de pedra), sobem em espiral, sem corrimão de ferro em alguns pontos, apenas com cordas, com espaços apertados. Meu filho tem apenas 1,10m, então para descer, principalmente, tivemos de ir ajudando-o o tempo todo, mas deu tudo certo.

Não tem a melhor vista da cidade (e ainda assim é lindo, ok?), mas como eu disse, é o mais barato.

Katariina Käik (St. Catherine’s Passage)

Quem não puder subir as escadarias da Munkadetagune torn, eu recomendo ao menos dirigir-se para a Katariina Käik (St. Catherine’s Passage). É também um dos principais marcos da velha cidade, e têm seu charme com a rua de pedras estreita com seus arcos. Lá de baixo, dá para sentir a imponência das muralhas de Tallinn.

Raeapteek

Também é imperdível a visita ao Raeapteek, a farmácia mais antiga ainda operante do mundo. Ela opera continuamente desde que foi inaugurada, em 1422. Mantendo seu estilo antigo, ela ainda comporta um pequeno museu, que é totalmente gratuito.

A farmácia fica na Raekoja Plats, que é a praça da antiga prefeitura. O prédio original que abrigava a prefeitura ainda existe (Tallina raekoda), mas no lugar há agora um restaurante. Aliás, ali é um local cheio de restaurantes e lojinhas, e na época do Natal eles fazem aqueles típicos mercados de Natal, que deve ser a coisa mais linda do mundo. Agora em maio, é um local onde as pessoas se sentam do lado de fora dos restaurantes para apreciar a beleza da cidade.

Tallina raekoda
Tallina raekoda
Danish Garden + Tallitorn + Kiek in de Kök Fortification Museum

Se subir em torres não for uma opção muito atrativa, por qualquer motivo que seja, deixo a recomendação da vista do Jardim Dinamarquês, logo em frente à Tallitorn. O Danish Garden, Jardim do Rei Dinamarquês, é um local histórico aberto ao público, e totalmente gratuito. Ele fica no topo de uma colina, deixando a Raekoja Plats, e apesar de haver uma rua íngreme para subir, ela é uma opção para chegar no Jardim. Para ser mais acessível a cadeirantes, talvez uma melhor opção seja chegar pela Lossi Plats e descer pela Lühike jalg. Já os pedestres contam com as calçadas em degraus, bem no estilo que imagino ser Portugal.

Um dos acessos ao Danish Garden
Jardim Dinamarquês com Tallitorn ao fundo e o acesso mais acessível pela Lossi Plats que mencionei

A Tallitorn é a antiga torre dos estábulos, e também já foi utilizada como prisão. Pode parecer um pouco confuso saber qual torre é qual em Tallinn, já que ela é basicamente uma cidade que manteve as estruturas de sua muralha que datam inclusive do século XIII. Mas o que você precisa ter em mente é que cada torre tem seu próprio nome, assim como toda embarcação recebe um nome. Sabendo disso, fica mais claro entender que a Tallitorn e a Neitsitorn integram o Kiek in de Kök Fortification Museum.

O Kiek in de Kök Fortification Museum tem a melhor vista para mim, dos pontos altos da cidade que fui, tá? O ingresso para o museu custa €16 por pessoa (criança até 5 anos não paga), e não se deixe enganar por seu porte medieval, ele é super moderno e bem interativo (as interações têm opção de idioma em inglês). Perfeito para todas as idades. Foi meu museu favorito, acho, e meu filho também se divertiu muito. O único porém, novamente, é que, dada a estrutura histórica das torres e muralhas mantida, o museu e as torres não dispõem de acessibilidade para cadeirantes.

Atrás desse museu, também vale parar para fotografar a belíssima Aleksander Nevski katedraal. A Estônia já integrou a União Soviética e há ainda muito na cidade que nos lembra desse fato histórico. Há museus da KGB, há bunkers, mas optamos por não fazer esse tipo de passeio com criança. De toda forma, parte da população do país é composta por comunidades falantes do idioma russo, embora o estoniano seja a língua oficial do país e o governo exige que todas as escolas públicas utilizem o estoniano como língua oficial de ensino desde 2022. Devido à guerra na Ucrânia, muitos monumentos e símbolos russos do país foram retirados, mas ainda vemos essa influência claramente na arquitetura, como é o caso da Catedral de Aleksander Nevski.

Toompark

Já nas bordas de Old Town, se você for a Tallinn com mais tempo como nós, eu também não deixaria de caminhar pelo Toompark, margeando Snelli tiik (Snelli pond). Inclusive, se você tiver criança, vale perder uma boa hora com eles brincando no playground (lasteväljak) que tem no extremo oposto do parque, próximo à esquina das ruas Rannamäe e Suurtüki. Só abrindo um parênteses aqui, o único porém para bebês que ainda usam fraldas, é que não há banheiro com trocadores por perto. No parque há apenas um banheiro químico, que estava bem OK, considerando que é um banheiro químico.


Outras regiões de Tallinn que valem a pena:

Mas não é só de construções medievais que a cidade de Tallinn é feita (embora eu confesse, foi o que mais me impressionou e o que eu mais amei ter visto). Então, num segundo ou terceiro dia em Tallinn, eu recomendaria:

Proto avastustehas

Uma visita ao Proto avastustehas (para quem tem crianças, é imperdível!). É um parque-temático que opera onde antigamente Emanuel Nobel, sobrinho do Alfred Nobel (sim, o do Prêmio Nobel) chegou a construir 12 submarinos, durante um programa secreto para o exército russo czarista. Hoje, o parque foca em interações com VR (realidade virtual), e nós nos divertimos muito por lá. É uma espécie de museu de ciências, mas por toda a história do lugar, ele traz interações que remetem à época de grandes revoluções industriais, com balões, submarinos, vagões de trem, etc. Há um refeitório no lugar, que atende bem para necessidades de almoço ou café da tarde. É prático para quem pretende passar o dia por lá em família. O ingresso também custa €16 por pessoa, sendo que crianças até 5 anos não pagam. Diferente dos lugares de Old Town, esse parque dispõem de mais acessibilidade para cadeirantes, com elevadores e rampas, por exemplo.

Proto Museum
Noblessneri sadam

Se for até o Proto, aproveite para andar também até a marina, Noblessneri sadam. É de tirar o fôlego os prédios ali no entorno. Com design ultramodernos, dá para esquecer fácil que se está numa cidade que preserva muralhas do século XIII.

Prédio residencial logo em frente à marina

Telliskivi Loomelinnak, um centro cultural criativo da cidade, onde funcionam bares e restaurante bem modernos com pegada industrial e cheio de design. O lugar contrasta bem também com a parte velha da cidade, e tem uma vibe bem jovial. Por lá, comemos num restaurante 100% sem glúten que, apesar de ter demorado muito, foi uma experiência bacana. O lugar estava lotado, eles erraram o pedido do meu filho (claro, tinha que ser justo o da criança), mas eles tinham bastante lápis e papel para ele ficar desenhando.

Nosso hambúrger 100% sem glúten em Telliskivi

E, no sentido completamente oposto ao de Telliskivi, tem o Kadriorg Park, ou Kadrioru park, que é enorme e belíssimo. Lá fomos ao Jardim Japonês, que vale a visita também, e, para nossa surpresa, acabamos indo ao KUMU (Estonian Art Museum), um museu de artes, a pedido do meu filho. Foi o passeio preferido dele em Tallinn (segundo ele mesmo, juro). Para quem não pode faltar museu de artes em viagem, essa é a nossa dica. Ele é bem moderno, e, sim, completamente acessível. O preço era de novamente €16 por pessoa, com criança de até 8 anos não pagando.

Jardim Japonês no Kadriorg Park

Deu para perceber que a média das atrações pagas é €16 por adulto, certo? A maioria dos lugares dispõem de uma espécie de bilhete combo para família, que dá direito a 2 adultos e 2 crianças pagantes, por €32. Todas as bilheterias possuem atendimento também em inglês.

Para quem ama livrarias, espera que vem post da minha livraria preferida de Tallinn, mas não deixe de visitar também a Rahva Raamat, que fica no Viru Keskus (Shopping Center Viru).

Outros pontos, mas com ressalvas:

Acho que até vale uma refeição no Olde Hansa (não deixe da fazer reserva), com direito a menus mais exóticos (carnes de caça) e uma experiência para lá de medieval. Nós não fizemos isso, ok? Não fizemos reserva e só comemos do lado de fora mesmo, ao relento, com luz natural do sol de verão deles que vai até às 22:30, pedimos carnes mais tradicionais mesmo (de boi) e uma simpática sopa de cogumelos. Foi a refeição mais cara da viagem, e não tem nada demais. Então, acho que vale mais a pena para quem quiser sentir a atmosfera mais estilo taverna da animação “Rapunzel”, sabe? Dizem que o atendimento é meio tosco, propositalmente, e é escuro lá dentro, com danças folclóricas e afins. Mas, se você tiver criança de colo ou bebê, deixo o alerta de que os banheiros são bem rústicos também. Na verdade, o cheiro de mijo estava impregnado lá, e os banheiros são escuros (razão pela qual eu acho que os homens talvez não acertem dentro do vaso e explica o mau cheiro). É um lugar mais para quem curte tomar uma cerveja e gosta de turismo temático.

Peppersack, é outro restaurante bem recomendado, e realmente, ele é mais agradável, que o Olde Hansa, na minha opinião. Tem também uma atmosfera medieval, mas mais aconchegante. E banheiros bem mais limpos e iluminados. Fomos lá para um café da manhã apenas, pois no almoço e janta também costuma encher e é recomendável fazer reserva, o que, novamente, não fizemos.

Tentei fazer um post mais enxuto com as melhores dicas da cidade de Tallinn, mas ao mesmo tempo, sinto que falhei, não só pela extensão do post, mas porque ainda assim, me parece que muita coisa ficou de fora.

A maioria das pessoas que vão até Tallinn apenas passam por lá por estarem em Helsinque e decidem tomar uma balsa até a capital estoniana. Mas Tallinn, na minha singela opinião, tem até mais coisas para fazer do que Helsinque. É claro que é tudo uma questão de gosto.

Tallinn é uma cidade que tem um lugar especial no meu coração, agora. E espero que esse post possa ajudar quem estiver planejando uma viagem por lá. Qualquer dúvida, deixem nos comentários.

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