Por que este ano não tenho meta literária

A ideia de não estipular um número de livros a serem lidos este ano já vem sendo há um bom tempo considerada. Eu estou muito feliz, claro, de ter alcançado a minha meta de 2017, que era de ler 50 livros. Mas acho que esse é um bom número.

P_20171116_214733_vHDR_Auto
Alguns dos 50 livros lidos em 2017

Se é um bom número, por que então não ao menos repeti-lo este ano?

Existem várias razões, com as quais vocês podem concordar ou não. Cada leitor tem suas manias, seu relacionamento próprio com o ato de ler. Eu sou uma leitora vagarosa, mas amo ler, praticamente tanto quanto amo viajar. E tal como uma viajante que, se puder, prefere passar vários dias num mesmo lugar do que fazer uma maratona errante, passando por várias capitais em uma única viagem, eu também prefiro ler degustando cada página, divagando muito.

Que fique claro que eu não me arrependo nem um pouco da minha meta do ano de 2017. Houve muito aprendizado com ela, sem dúvida. E eu nunca havia lido tanto quanto li em 2017. Então, aprendi, por exemplo, que é possível sim ler bastante durante um ano inteiro, se eu simplesmente passar menos tempo vendo séries de TV ou acompanhando todas as redes sociais das quais faço parte. Aprendi também que existe um limite para se ler bastante com qualidade. Foram 50 livros, é verdade, mas, não menosprezando nenhum gênero – porque ler é um prazer que tenho –, é preciso dar uma “roubada” para alcançar grandes metas de leitura quando se é um leitor devagar como eu. Para atingir minha meta, tive que alternar minhas leituras “densas” com muitas leituras mais “leves”. Não há nenhum problema real nisso, eu penso, mas a verdade é que eu acabei dando preferência para alguns livros e deixando outros de lado simplesmente pelo receio de não atingir a meta.

Eu não sei quanto a vocês, mas, como leitora, um dos momentos mais gostosos e também mais difíceis é exatamente o de escolher a minha próxima leitura. É um exercício bastante agradável e ao mesmo tempo cansativo. É como correr (para quem gosta de correr): é uma delícia estabelecer o percurso, a passada ou a distância e também é muito boa a sensação de liberdade ao correr. Mas as dores, obstáculos e dificuldades sempre vêm em algum momento. E então eu paro em frente à minha querida estante de livros – que  nem é tão grande assim –, e fico um tempão lá pensando qual é a próxima leitura ideal… Ah, me desculpem, mas metade do prazer que eu sentia nessa árdua tarefa sucumbiu ao estabelecer uma meta. Porque a escolha sempre se baseava num critério: “vou demorar muito para ler este livro? Sim, então, deixa para uma próxima. Não? Opa, ok, vou já deixar meio separadinho”. E veja bem, não é assim que gosto de fazer as coisas.

P_20180104_145018_vHDR_Auto
A estante de livros aqui de casa, ou, nossa “Biblioteca Ohara”

Outro bom motivo que me levou a definir pela não-meta de quantidade de livros, foi ter me deparado com vários posts por aí sobre outros tipos de meta de leitura que não o número. Ler todos os livros de um autor X, por exemplo, ou ler tal e tal livro, que você vem se prometendo há um bom tempo que vai ler e nunca lê… coisas assim, mais interessantes, edificantes e palpáveis. Interessante porque o que você ler além disso é lucro, concorda? Edificante porque você provavelmente vai aprender muito de qualquer forma, e creio que a opção por esses tipos de meta demonstra um amadurecimento como leitor. E palpável porque é de fato uma meta mais concretizável, e você não precisa se matar para ler, tornando a leitura uma obrigação ou deixando de ler algo que você acredita que seria mais proveitoso.

E, por fim, a decisão final veio depois de ler o prefácio de Paul Theroux, no livro de Fotografia “On Reading”, de Steve McCurry. O livro é incrível, e o próximo post do blog será exatamente sobre ele. Mas, só terminando de explicar, Theroux diz que “ler rapidamente um livro não é uma virtude”, e que quanto melhor for o livro, mais devagar ele lê.

Como eu já disse antes, eu sou uma leitora lenta. E tudo que ele vai dizendo sobre o estilo de leitura dele encaixa muito com o meu. Penso como ele em vários aspectos. Por exemplo, concordo com isso de que ler rápido não é uma virtude. Porque acho que quem o faz não aprecia de verdade o sabor das palavras. É como engolir uma comida, sem realmente degustá-la. E, mesmo que inconscientemente, quando eu gosto muito de um livro, eu leio muitas poucas páginas por dia, porque quero que a sensação agradável advinda da leitura dure bastante. Então, também para mim, quanto melhor o livro, sei que mais tempo eu levo para terminá-lo. Mas ele tem outro pensamento do qual compartilho. Nas escolas, talvez por falta de tempo, nas aulas de literatura,  quando nos inciamos nas Humanidades por assim dizer, pulamos de autor em autor, lendo apenas as obras mais famosas de cada um deles. É assim que se ensina a ler e a ser leitor então?

_DSC3619

Não sei quanto a você, meu caro, minha cara, mas tanto eu quanto Theroux, quando gostamos de algum escritor, passamos a querer ler mais obras do mesmo autor. Mas as escolas não parecem oportunizar ou mesmo incentivar isso. Uma frase que gostei muito de Theroux foi a seguinte: “Rather than read a book, I read a writer”Ao invés de ler um livro, eu leio um escritor. E realmente, quando ele gosta de algum autor, ele torna a leitura de suas obras e de biografias sobre o autor um projeto pessoal. Eu me encantei com essa ideia. E é isso que pretendo fazer este ano. Explorar mais obras dos meus autores favoritos; permitir-me ler algo novo e, caso eu goste muito, procurar outros trabalhos do(a) autor(a); ler biografias de pessoas que eu admiro; ler livros que me ensinem algo novo; ler gêneros que não costume ler; e ler os livros que há tanto tempo estão na lista de espera para serem lidos…  coisas assim que pretendo fazer, entendem?

Assim, me propus minimamente o seguinte para o ano de 2018:

  • Ler o livro: “A Man Called Ove” – Fredrik Backman (o qual já iniciei a leitura no dia 04/01/18);
  • Ler algum livro da Taschen que tenho (René Magritte, Rembrandt, Gustave Klimt ou Edvard Munch);
  • Ler “Androides sonham com ovelhas elétricas?” – Philip K. Dick, livro que inspirou o filme Blade Runner
  • Ler “O conto da Aia” – Margaret Atwood
  • Reler uma série qualquer.
P_20180104_145103_vHDR_Auto
Livros da Taschen a serem lidos (do Van Gogh já li ❤ )

E o resto que vier, como disse, é lucro.

E você? Tem alguma indicação de livro para me dar? Quem sabe eu não a acrescente na minha lista de leituras para 2018?

 

 

5 comentários Adicione o seu

  1. Monica disse:

    Apesar de necessárias, não estabeleci muitas metas este Ano. Metas boas são aquelas que se harmonizam com nosso estilo de vida! Particularmente, gosto de fazer muitas coisas, então preciso distribuir mto bem o tempo 😘😘😘

    Curtir

    1. meisauedaoh disse:

      Também gosto de fazer muitas coisas . Tem que dividir o tempo!

      Curtir

Deixe uma resposta para Monica Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s