Review: Os Relógios – Agatha Christie

Este é um daqueles livros que ficou meses (acho que anos, na verdade) parado no meu Kindle, esperando meu ânimo para lê-lo surgir. Eu tenho o eBook porque foi uma espécie de brinde da Amazon, daqueles que você ganha por ter feito determinadas compras de livros, sabem? Muito bem, eu acabei ficando com Os Relógios, da Agatha Christie, dentre as opções disponíveis para eu “retirar de brinde”, e confesso que foi uma escolha por renome. Era a única autora que eu já tinha ouvido falar dentre as possibilidades.

E eu não sei bem ao certo por que demorei tanto a lê-lo. Acredito que um pouco por preconceito mesmo. Livro muito barato ou de graça às vezes causa má impressão. Não de toda ruim, mas que é um livro que pode não ser assim tããão bom, vocês me entendem?

Que bom que me enganei em relação a este. E a pergunta acima ganha então outra conotação: como eu demorei tanto a lê-lo?

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Os Relógios traz um curioso caso de assassinato ocorrido em Wilbraham Crescent, por onde Colin Lamb, agente do serviço secreto britânico, estava de passagem por conta de outra investigação. Lamb então é surpreendido por uma jovem, Sheila Webb, que sai gritando do n°19 da W. Crescente, e, em seus braços, ela, em choque, informa-o que há um homem morto dentro da casa. Lamb liga para um colega inspetor da polícia, Detetive Inspetor Hardcastle.

Assim, inicia-se a investigação do assassinato, cuja identidade da vítima, para piorar a situação, também é desconhecida. Além disso, há outras coisas estranhas: Sheila Webb é uma estenógrafa que recebeu ordens de ir ao endereço a pedido da moradora do n°19 de Wilbraham Crescent, Mrs. Pebmarsh. Esta, no entanto, nega veemente que tenha solicitado tal serviço. E embora Mrs. Pebmarsh seja cega, afirma que 4 relógios encontrados em sua casa depois do assassinato não são seus.

Lamb, sendo amigo de Hercule Poirot, decide consultá-lo sobre o assassinato, e Poirot, longe de onde ocorreram os fatos, se vê então desafiado a resolver o caso sem sequer sair de sua poltrona. Com as informações passadas às minúcias por Lamb, Poirot descobre rapidamente os motivos do crime e quem seria o homem assassinado, mas não revela a Lamb, dando apenas pistas aparentemente desconexas ao amigo.


O livro está muito bem avaliado na Amazon: 4.5 estrelas. E é tão bom assim? É, gente! É um romance policial muito agradável de se ler. Embora haja a importantíssima participação de Hercule Poirot – afinal, é ele quem resolve em primeira mão o curioso caso do assassinato (muito simples para Poirot, diga-se de passagem)–, o detetive belga não é o protagonista da história. Na verdade, sua aparição demorou tanto a aparecer que eu realmente não parava de me questionar quando ele entraria em ação.

E quando ele finalmente entra, deparamo-nos com um Poirot entediado, que conta a Lamb que passou um tempo resolvendo, em sua cabeça, casos reais que foram arquivados sem solução e, findo estes, passou a exercitar a mente resolvendo casos da literatura policial. Nesse diálogo com Lamb, Agatha Christie se utiliza de Poirot como emissor de suas opiniões de outros autores do mesmo gênero. Pontos para Sir Conan Arthur Doyle (mas também, né! Por favor! Como não apreciar a escrita de Conan Doyle?)!

O livro conta com duas narrativas paralelas, uma sendo a de Colin Lamb, em primeira pessoa, em que ele tem a intenção, na verdade, de relatar seu progresso quanto à sua investigação inicial, mas que acaba se comunicando com a investigação do assassinato no n° 19 da Wilbraham Crescent, e a outra em terceira pessoa, onisciente. Essa mudança de perspectiva torna a leitura bastante dinâmica, mas tem o genial ardil de distrair o leitor de algumas pistas existentes ao longo do livro.

Esse, aliás, é um dos motivos por que gostei mais dessa leitura do que de Assassinato no Expresso do Oriente, por exemplo, tão falado por conta do filme lançado no ano passado (2017). Em Expresso do Oriente não achei que houve oportunidade do leitor juntar pistas e tentar formar uma teoria. O leitor cria suspeitas, claro, mas não teorias. Já neste, Os Relógios, as pistas estão lá, mas o leitor é distraído e não as vê, só ao final, claro, quando então o raciocínio lógico de Poirot é delineado. Agatha Christie é realmente uma escritora de romance policial impressionante. Cada romance dela que vou lendo, mais me torno sua fã.

Além das breves análises de autores do gênero policial que surgem do diálogo entre Lamb e Poirot, Agatha Christie, indiretamente, ainda faz referência a obras de Lewis Carroll, o que eu simplesmente achei o máximo (e identifiquei o poema na hora!). Eu simplesmente me apaixonei completamente pela escritora depois desse livro e já fiquei ansiosa pela leitura de todos os outros livros que têm Poirot como detetive.

E você? Já leu algum livro da Agatha Christie? Qual o seu favorito?


Informações adicionais sobre o livro:

Formato: eBook Kindle

Número de páginas: 240 páginas

Editora: Globo Livros (1 de julho de 2014)

Tamanho do arquivo: 2984.0 KB

Vendido por: Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda

6 comentários Adicione o seu

  1. Monica disse:

    Ainda não me dei a chance de ler algum livro dela. Quem sabe após esse post, como sempre, despertando o meu interesse pela leitura.

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  2. Ainda não pude ler nenhum livro dela, mas me interessei nesse livro. O expresso da meia noite eu evitei por conta do hype, mas acho que vou começar com relógios, ele vai ser o primeiro da Agatha.

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    1. meisauedaoh disse:

      Nossa, quanta responsabilidade fazer com que essa seja sua primeira leitura da Agatha Christie. Espero que goste!

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  3. Sinto-me inclinado a ler este livro. Sobre o “Assassinato no Expresso”, muito antes do filme, sempre ouvi falar deste livro na minha infância e juventude, como um livro muito famoso e bom desta autora. Eu, que cresci em periferia e estudei os dois primeiros graus em escolas públicas.
    Tenho uma tia que era fã de Agatha, e que com os anos completou a coleção de livros! Boa parte ela já não tem mais. O interessante é poder fazer a minha com livros em sebos, o que fica barato e dá aquele ar de livro antigo na estante, kkkk.
    Já li referência a Sherlock Holmes, salvo engano, em algum livro da escritora.
    Ah, Isa, vou caçar os livros dela. Que boa lembrança, é um passatempo e exercício ótimo ler Agatha Christie! (eu a chamava de A Gata Tristie, kkkk)

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    1. Isa Ueda disse:

      O bom é realmente que encontramos muitos livros da “A Gata triste” (kkkkkk) facilmente em sebos, ne? Esse Assassinato na Casa do Pastor eu consegui numa feira de trocas… ele é meio velhinho, de 86 hehe, mas valeu a pena!
      Fico tão feliz de saber de pessoas como você, e como outros leitores aqui do blog, que cresceu na periferia e frequentou escola pública mas que demonstra interesse nos livros. Espero que você leia tudo da Agatha Christie, e que ela o leve ainda por muitas outras histórias de outros escritores.

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