O Diário de Myriam – Myriam Rawick

O Diário de Myriam foi minha quarta leitura para o desafio #MulheresContinentais, desta vez, representando o Continente da Ásia, pela Síria.

Também foi minha primeira leitura do selo Crânio da editora DarkSide Books, e devo dizer que eu não poderia ter estreado meu ingresso a essa marca Dark de melhor forma.

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Sinopse:

A Guerra da Síria já deixou quase meio milhão de mortos e fez com que metade da população síria se tornasse um imenso e desorganizado exército de 12 milhões de refugiados. É pelos olhos de Myriam, na passagem da infância à adolescência, que acompanhamos a rotina de medo — e também de esperança — em um dos conflitos mais devastadores da história recente. Um relato revelador, que remete à toda tensão e emoção do clássico O Diário de Anne Frank.

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Minhas impressões sobre o livro:

O Diário de Myriam foi uma leitura devastadora para mim, embora eu já tivesse sido alertada de que isso aconteceria. Na verdade, acho que até boa parte do livro me foi tranquila, mas chegou determinado ponto do livro que eu não conseguia mais ler muitas páginas de uma só vez, ainda que cada registro diário fosse bem curto, porque eu me sentia destruída e com o coração esfacelado.

A questão é justamente que tanto as coisas mais belas quanto as mais terríveis do mundo dispensam uma enxurrada de palavras, elas são de fácil compreensão e requerem muitos poucos dizeres.

Ao ver que o novo apartamento ficava no quinto andar, fiquei com medo. É ali que as bombas caem. p.246

A catedral maronita da cidade foi atingida e destruída. Parece que todo o teto caiu. Aqui, até mesmo Deus não tem mais casa. p. 249

A gente ouviu barulho de aviões a noite toda. Como uma tempestade que não parava nunca. Às vezes, a gente pensa que são pessoas que vão nos tirar daqui, mas não. Os aviões nunca pousam e só largam bombas. p. 259

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Nesta caprichada edição da DarkSide são trazidas também fotografias e posfácio de Yan Boechat, bem como algumas das 200 cartas enviadas por crianças ao editoral Joca, que se intitula o primeiro e único jornal para jovens e crianças do Brasil. Tais cartas foram escritas após estas crianças tomarem conhecimento da publicação do livro, em francês, através de notícia divulgada no Joca, veículo jornalístico acessado numa aula de informática por tais alunos, e, nas cartas, eles pedem que o livro seja publicado também no Brasil, em português, para que eles possam conhecer a história de Myriam.

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A infância de Myriam lhe foi roubada, e há, com certeza, muitas outras histórias de outras crianças como a dela, muitas das quais jamais poderão ser contadas senão por terceiros sobreviventes. Uma criança não deveria nunca conhecer armas, conhecer guerras e a morte em sua forma mais cruel e irracional. Sei que o livro tem a intenção de trazer um pouco de esperança pelos relatos de uma garota que passou terríveis anos em meio a uma guerra que, ao que tudo indica, nunca terá um fim, mas que teve forças e coragem de criar voz e espalhar sua história como forma de despertar indignação a interesses vis e mesquinhos dos mais variados que levam ao pior lado do ser humano: a guerra, mas o livro realmente me deixou muito abalada.

Ainda assim, espero que outras pessoas também leiam este livro, que é de suma importância para entender todos os efeitos possíveis de uma guerra. Quando pensamos em guerra, muitas vezes, pensamos apenas em números, num coletivo, e claro, isso já é  muito assustador, mas são os relatos pessoais que nos aproximam da realidade e dão identidade a cada um desses números, criando empatia e desconstruindo a massa anônima que nos torna indiferentes e insensíveis a fatos que não nos atingem diretamente.

Triste, porém, é questionar quantos mais livros assim precisará a humanidade para que as guerras findem e saber que não existe número de livros o suficiente para tanto.

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Detalhe da guarda do livro

Informações adicionais sobre o livro:

Capa comum: 320 páginas

Editora: Darkside; Edição: 1 (5 de julho de 2018)

ISBN-10: 8594541228 – ISBN-13: 978-8594541222

Título Original: Le Journal de Myriam

3 comentários Adicione o seu

  1. Aya Kusanagi disse:

    Sempre tive vontade de ler esse livro e depois de saber a sua opinião sobre ele me deu ainda mais vontade de lê-lo.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Isa Ueda disse:

      Leia sim, amiga, e depois faz um post pra gente ou um dos seus vídeos que eu adoro contando o que vc achou, se foi uma leitura difícil, pesada ou não.

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  2. Tatianices disse:

    Acho que eu tinha uma imagem totalmente diferente sobre esse livro, nunca soube ao certo do que se tratava. Agora fiquei com muita vontade de ler!

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