Cangalha do Vento – Luiz Eudes

Antes de mais nada, gostaria de agradecer enormemente ao autor Luiz Eudes pelo carinho constante desde o primeiro contato, ao me enviar seu livro para leitura e apreciação. Pelo instagram, sua interação no meu feed tem sido diária, e é muito gratificante quando um autor realmente acompanha nosso trabalho, o que só me faz sentir especial por sido escolhida por ele.

Agradeço também a compreensão sem igual que o autor teve ao me deixar bastante confortável para ler o livro no meu devido tempo, ainda mais em tempos de pandemia e na crescente expectativa que é o período de gravidez. Por outro lado, foi extremamente prazeroso ler este livro justamente durante essa espera, que me conectou diretamente com “Cangalha do Vento” por razões que eu nem imaginaria.


“Cangalha do Vento” é um livro de contos que, reunidos de forma tão natural, à primeira vista, poderiam ser tido apenas como capítulos de uma história. Quando se abre, porém, o livro em qualquer um desses supostos capítulos, o que se percebe é que sua leitura pode ser feita de maneira completamente independente dos demais, recurso que aproxima para mim o trabalho do autor ao de outro escritor que também evoca o Nordeste, este já consagradíssimo: Graciliano Ramos, e isso é apenas um bônus da obra, já que permeada por muitas outras qualidades. Lendo-os na ordem que se apresentam no livro, esses contos tecem, todavia, o fio de uma história de sucessões, partindo de Aristeu, o Galego, a seus descendentes: seu filho José Paulo e seu neto Fernando.

Aristeu é filho dessa terra, o Junco, que, mesmo distante, sempre imprimirá nos seus, inclusive nas gerações subsequentes de Aristeu, uma enorme influência e poder. Seria essa força a própria cangalha do vento? Fato é que, não há nada como o chamado da terra materna. As pessoas podem deixá-la por inúmeras razões, perseguindo sonhos ou ilusões, mas no coração sempre fica um lugar ao qual sentem realmente pertencer.

O livro é, portanto, uma forma que o autor encontrou de homenagear esse lugar do qual se sente parte, ainda que representado pelo Junco, fictício. Outros lugares citados, porém, são reais, e me encanta como são aludidos por seus apelidos, como “Velho Chico”, capital potiguar e “Cidade do Ouro”, reforçando o vínculo com essa terra, ao lado de outros elementos da paisagem que ajudam a evocá-la, me fazendo imaginar uma vegetação que não faz parte, infelizmente, da minha realidade: juazeiros, flamboyants, cajueiros encobrem o horizonte da Bahia, lugar em que só estive de passagem na minha infância.

Também me chamou a atenção o sem número de nomes de pessoas que aparecem ao longo das narrativas e formam um mosaico de gentes e rostos do povo do Junco. Suas breves aparições não prejudicam a fluência dos contos, já que a vida é sempre assim, feita de um emaranhado de pessoas que fazem parte do nosso cotidiano e ajudam a moldar nossa própria história. Em termos de fluência, aliás, fazia tempo que não lia um livro numa toada só, tão singelamente atraente é a prosa de Luiz Eudes.

É um livro bem curto, verdade se diga, que deixa saudades não só de acompanhar a jornada de Aristeu e seus familiares, mas uma saudade que se estende além da história ali encerrada, por nos fazer rememorar a história de nossas próprias famílias e também sonhar com tempos vindouros.


Dados Técnicos do Livro:

Capa Comum: 120 páginas

Autor: Luiz Eudes

Autopublicação, 1ª Reimpressão (Fevereiro de 2020)

Contatos do autor:

E-mail: luizecruz@ig.com.br

Facebook: Luiz Eudes

Instagram: @luiz_eudes

4 comentários

    1. Meu Deus, o que dizer da sua resenha tão doce e envolvente? Você conseguiu arrebatar os meus mais profundos sentimentos. Muito obrigado, querida Isa. Saiba que estou muito, muito feliz.

      Curtido por 1 pessoa

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