Flores para Algernon – Daniel Keyes

Sinopse:

“Uma cirurgia revolucionária promete aumentar o QI do paciente. Charlie Gordon, um homem com deficiência intelectual grave, é selecionado para ser o primeiro humano a passar pelo procedimento Em um avanço científico sem precedentes, a inteligência de Charlie aumenta tanto que ultrapassa a dos médicos que planejaram o experimento. Entretanto, Charlie passa a ter novas percepções da realidade e começa a refletir sobre suas relações sociais e até sobre o papel de sua existência.

“Delicado, profundo e comovente, Flores para Algernon é um clássico da literatura norte-americana. Inspirou o filme Os dois mundos de Charly (ganhador do Oscar de Melhor Ator) e um musical da Broadway, além de homenagens e referências em diversas mídias.”


Sobre curar ressaca literária:

Esse livro chegou até mim através de inúmeras recomendações, da qual a que eu sei que posso confiar plenamente é a do @rodrigoeoslivros. Tudo bem que entre a recomendação, e até eu comprar e de fato ler se passou quase um ano, mas é assim mesmo, né? Nossa interminável pilha de desejados!

Decidi por ler este livro depois de passar uns dias de ressaca literária. E nem foi dessas ressacas em que se lê algo tão maravilhosamente extraordinário e que depois fica-se sem chão. Não. Eu simplesmente começava a ler alguma coisa e não conseguia me concentrar, seja porque o livro não estava me prendendo, seja porque estava ficando impaciente com os personagens e queria dar um tempo deles, seja porque simplesmente não tinha a mínima vontade de abrir nada para ler determinado dia.

Não sou de abandonar leituras, e pretendo retomar as que estava fazendo antes de Flores para Algernon, mas eu vi que precisava de um livro super elogiado e amado que me fizesse encontrar novamente o meu carinho por livros, e bom, acredito que deu certo o plano!


Minhas impressões sobre a leitura:

Li Flores para Algernon em apenas 3 dias. Para quem estava ficando 3 dias seguidos sem abrir um livro sequer, foi uma vitória! E por que consegui ler tão rápida e avidamente assim? Porque o livro é realmente muito bom!

Trata-se de uma ficção científica, mas não das do tipo que envolvem viagens no tempo-espaço ou outras galáxias. Para mim, os melhores livros desse gênero (e agora “Flores para Algernon” está nesse seleto grupo) são aqueles que nos fazem refletir sobre nossa condição humana, sobre nossa existência, mais do que o entretenimento em si.

Charlie Gordon é um homem de 32 anos que possui um QI de 70 (68). Seu sonho sempre foi o de ser inteligente como as pessoas que ele conhecia: seus pais e sua irmã, por exemplo, e ele acreditava que se fosse capaz de ler e escrever, conseguiria ir aprendendo as coisas aos poucos e se tornaria inteligente. Consegue, então, se matricular num curso para alfabetização de adultos com retardo mental, e, apesar de suas limitações, é indiscutível sua sede por aprender. Percebendo esse ímpeto, sua professora o pré-seleciona para participar de um projeto científico, e os pesquisadores o aceitam como candidato. Nesse projeto, Charlie será submetido a uma cirurgia que o deixará com um QI bem maior. Só que é a primeira vez que o experimento será feito em um humano. Certo dia, Charlie é levado até um laboratório da Universidade Beekman para conhecer Algernon, o rato que passou pelo mesmo procedimento pelo qual Charlie passará. A partir daí, ambos terão uma forte conexão do começo ao fim do livro.

Um dos requisitos para Charlie ser submetido à cirurgia inclui o registro de um relatório de progresso, que deverá ser por ele escrito. E é a partir desses registros que se dá a narrativa. Assim, o que o leitor acompanha, na verdade, são esses relatos, que formam uma espécie de diário de Charlie. No começo, as anotações são cheias de erros ortográficos e as frases são bem simples, permeadas de ingenuidade. Algumas passagens ainda nessa fase são de cortar o coração, porque Charlie acredita que as pessoas são realmente boas, quando na verdade ele não consegue discernir a ironia, o deboche e as risadas maliciosas, que, de sua perspectiva, são apenas seus amigos se divertindo junto com ele. Logo, porém, Charlie passa pelo procedimento cirúrgico e o progresso em sua escrita é notoriamente rápido, assim como de sua inteligência. Não apenas deixa de cometer erros, como amadurece sua forma de se expressar, refinando-a e até tornando-a de uma certa frieza científica, mas ainda assim imbuída de reflexões extraordinariamente humanas.

Uma das frases que mais me chamou a atenção no livro, porque acredito ser totalmente real é a que o Dr. Strauss, psiquiatra e neurocirurgião, diz em determinado momento para Charlie: “Quanto mais inteligente você se tornar, mais problemas você terá, Charlie. Seu crescimento intelectual vai ultrapassar seu crescimento emocional. E acho que você observará que, ao progredir, haverá muitas coisas sobre as quais você vai querer falar comigo”.

E é exatamente daí que virão as reflexões que falei acima. Charlie passará também a se recordar de alguns episódios de sua infância, que o atingirão com tamanha lucidez que o confronto com eles serão inevitáveis para pensar quem é o Charlie pós-cirurgia e pré-cirurgia. Nesse ponto, acho as analogias que ele faz simplesmente incríveis, e as quais conferem uma beleza singular que venho apreciando muito nos livros de sci-fi e que têm arrancado muitas lágrimas dessa leitora.

O livro abre com um excerto de “A República”, de Platão, que para mim faz toda a diferença na obra. Eu comecei o livro lendo esse trecho, mas assim que terminei, voltei nele, como que encerrando um ciclo de leitura. Porém, a sensação que fica é que, embora o transcurso dessa leitura esteja finalizada, as reflexões por ela geradas se estenderão ainda por muito tempo.


Dados Técnicos do Livro:

Capa dura: 288 páginas

Autor: Daniel Keyes*

Editora: Editora Aleph; Edição: 1 (10 de julho de 2018)

ISBN-10: 8576573938 – ISBN-13: 978-8576573937

*Daniel Keyes (1927-2014) graduou-se pela Brooklyn College. Publicou 8 livros e escrevia roteiros de quadrinhos para Stan Lee. Guardou sua melhor história para este livro, com toda razão. O livro conta com mais de 5 milhões de exemplares vendidos.

Edição adquirida pela Amazon do Brasil.

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