Estrangeiros – Leo Cunha e Alexandre Rampazo

Estou chegando com um pouco de atraso com o livro do mês de maio, em parceria com a Boitatá. Acontece que estávamos viajando, e a belíssima edição chegou durante nossa ausência. Por outro lado, logo vi aqui uma oportunidade, pois se estávamos voltando de viagem, também posso afirmar que, há pouco, tivemos uma experiência que permite aprofundar o tema aqui em casa, e, claro, gostaria de compartilhar um pouco dela aqui com vocês.

Recentemente estivemos em Talin, na Estônia. Um destino talvez não muito popular, mas que graças ao boom tecnológico, é atualmente apelidada como o “Vale do Sicílio” europeu. E esse importante polo tecnológico tem recebido muitos estrangeiros para atuar, sobretudo, na área de TI. Então, vimos muitos imigrantes por lá.

Depois de ler a história de “Estrangeiros” com meu filho, eu acabei puxando esse gancho da nossa viagem, lembrando-o da importância do trabalho de imigrantes, e retomando até o ponto em que, se estamos aqui hoje no Brasil, também é porque, um dia, nossos ancestrais deixaram sua terra natal em busca de melhores oportunidades.


Eu gosto muito da sinopse na contracapa, nas perfeitas palavras de Jamil Chade:

“Você já reparou como os pássaros atravessam o céu sem ter de apresentar documentos?

“Na terra, ao longo da história, pessoas poderosas vêm construindo muros para impedir que mulheres, homens e crianças voem como aves. Algumas dessas barreiras servem para ocultar o que existe de bom do lado de lá. Outras tentam afastar quem foge da guerra, da fome e do medo em busca de paz.

Mas, se todos erguerem muros que separam, o que restará? E quem serão os estrangeiros?”


Construir muros para impedir pessoas de entrarem num país. Eu lembro como a ideia pareceu absurda pro meu filho. Mas sabemos como ela é real; por vezes, literal, mas em regra, esses muros nem precisam ser de alvenaria. São empilhados invisíveis, cujo objetivo é dificultar a travessia, mesmo quando já se está do outro lado, um morrer na praia figurativo.

É sobre isso que o livro vai falar também. Digo “também” porque, sem focar somente nas dificuldades pelas quais imigrantes passam, a narrativa destaca a capacidade de adaptação e o poder da esperança que eles carregam consigo. Então, ainda que o tom predominante e a própria imagem do rei no livro tornem impossível não lembrar de “O Rei de Amarelo”, de Robert W. Chambers, a história de “Estrangeiros” tem um desfecho otimista, nos lembrando sempre da importância de nos colocarmos no lugar do outro. A empatia é um dos maiores privilégios da literatura, e eu confesso que fico comovida de ver isso acontecendo dentro da literatura infantil.

Cada edição da Boitatá que chega aqui em casa me toca de jeitos inimagináveis, e este fez meu coração desembarcar também numa terra encantada, num lugar onde as coisas boas podem acontecer.


Dados Técnicos do Livro:
  • Capa dura: ‎48 páginas
  • Editora: ‎Boitatá,1ª edição (23 abril 2026)
  • Autores: ‎Leo Cunha e Alexandre Rampazo
  • ISBN-10: ‎6557175521 – ISBN-13: ‎978-6557175521
  • Idade sugerida de leitura: ‎5 – 10 anos

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