Resenha: A Man Called Ove – Fredrik Backman

Já comentei aqui no blog que queria ler mais livros estrangeiros este ano. Um deles até entrou como uma proposta mínima de leitura, da qual falei aqui.

Assim, depois de terminar minha leitura, venho dividir com vocês minhas impressões do livro.

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A Man Called Ove, de Fredrik Backman (no Brasil: Um Homem Chamado Ove) é um romance sueco que se tornou um grande sucesso de vendas no país escandinavo. Posteriormente foi também traduzido para mais de 40 países, dentre eles, os EUA, onde Fredrik Backman se consagrou como autor campeão de vendas (bestsellers) segundo a New York Times. O livro também foi adaptado para o cinema sueco, e, há rumores de que haverá também uma adaptação para o cinema americano, com Tom Hanks no papel principal. Se for verdade, vou querer muito assistir!

Mas, o que dizer do livro?

Bom, aqui no Brasil, o livro foi publicado pela Companhia das Letras (Alfaguara). Assim, vou-lhes apresentar a sinopse que a editora traz:

Ove tem cinquenta e nove anos e não gosta muito das pessoas. Afinal, hoje em dia ninguém mais sabe trocar um pneu, escrever à mão ou usar uma chave de fenda. Ninguém mais quer trabalhar e assumir responsabilidades. Todo mundo é jovem, usa calça justa e só quer saber de internet. Para Ove, uma sociedade em que tudo se resume a computadores e café instantâneo só pode decepcioná-lo.
Como se isso não bastasse, a única pessoa que ele amava faleceu. Sem sua esposa, a vida de Ove perdeu a cor e o sentido. Meses depois, ele toma uma decisão: vai dar fim à própria vida. No entanto, cada uma de suas tentativas é frustrada por algum vizinho incompetente que precisa de ajuda. Mas, quando uma estranha família se muda para a casa ao lado, Ove aos poucos passa a encarar o mundo de outra forma.
Um romance comovente que mostra como amor e bondade podem ser encontrados nos lugares mais inesperados.

E o que eu achei da leitura, é bem isso mesmo que está na sinopse?

Sim e não. Como assim?

Ove é realmente o protagonista mais ranzinza que já conheci, mas, assim como vem descrito no verso da capa do livro da Washington Square Press (a edição que tenho): “At first glance, Ove is most certainly the grumpiest man you ever met. Never trust first impressions” – numa tradução livre: À primeira vista, Ove é certamente o homem mais ranzinza que você já conheceu. Nunca confie em primeiras impressões. E para mim, é exatamente isso que acontece no livro. Então, não creio que a “estranha família” que “se muda para a casa ao lado” faça com que Ove encare o mundo de outra forma. Na verdade, Ove é uma pessoa amável e bondosa, mas que foi se fechando para o mundo e para as pessoas após a morte de Sonja, sua esposa (pronuncia-se Sonia). Ele nunca foi uma pessoa muito comunicativa, é verdade, mas esse aparente desprezo pelas pessoas surgiu apenas como uma proteção que ele lhe impôs, e é realmente muito emocionante ver essa barreira erguida por ele ser pouco a pouco derrubada.

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O livro encontra-se muito bem avaliado na Amazon (4.6 de 5 estrelas), e no Goodreads (4.35 de 5 estrelas). E não é para menos.

A leitura é super fluente, embora Fredrik Backman prefira a estrutura de frases curtas. Ele tem uma escrita deliciosa e simples. Um estilo a que pode recorrer por parecer entender muito bem o poder enfático, tragicômico de uma pontuação muito bem empregada. Em outras palavras, Backman não brinca com as palavras, ele brinca com o texto. E é sensacional! Se eu fosse uma escritora, provavelmente gostaria de ter um estilo muito parecido com o dele.

Esse estilo adiciona muito à história, que já é impregnada de momentos comoventes Explicando, funciona assim: numa mesma página você solta uma gargalhada, e apenas algumas linhas abaixo, já sente um aperto no coração e os olhos se enchendo de lágrimas. Uma montanha russa de emoções assim é o resultado dessa destreza toda de Backman com o texto. Impressionante.

Quando Backman se utiliza de comparações para ilustrar a reação de algum personagem, o leitor irá se deparar sempre com os momentos mais divertidos do livro; as descrições das caras e bocas de Ove ou das pessoas com quem ele interage são impagáveis. Ove é definitivamente um rabugento a ser estudado.

Ove conquista o leitor com suas constantes lembranças de “o que dirá Sonja quando voltarmos a nos reencontrar?”, pois nesses momentos, ele demonstra o enorme coração que tem. É a partir dessas reflexões de Ove que Backman faz o gancho da história, alternando a narrativa do presente com fatos do passado, apresentando-os ao leitor tal como os eventos realmente se deram na vida de Ove, corroendo-se assim a imagem inicial ranzinza que temos de Ove.

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Ao final, o que posso dizer é que chorei muito ao longo da leitura. Backman comove o leitor criando um círculo invisível que une Ove a outros personagens da história, seja por um passado em comum, seja por uma promessa silenciosa de dias melhores à frente. Tão silenciosa que talvez nem mesmo Ove ousa imaginá-los.


Como cheguei ao livro?

Eu me interessei pelo livro quando soube que o filme estava entre as nomeações do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2017, ano em que o livro também ressurgiu em destaque nas livrarias, sobretudo nos EUA, embora o livro, no original, tenha sido publicado em 2012 na Suécia, 2013 nos EUA, e em 2015 aqui no Brasil.

Acabei adquirindo em inglês não só para praticar o idioma, mas porque calhou de eu estar nos EUA quando o livro estava sendo vendido como um bestseller, depois da nova projeção que o livro teve com a nomeação do filme para o Oscar. É uma edição de bolso, econômica, mas eu me encantei pela capa. Na verdade, achei bem mais bonita que a da edição brasileira, em que pese todo meu respeito pelo capricho das edições lindas que a Companhia das Letras costuma ter. Foi uma escolha da qual sinceramente não me arrependo. Mas, independentemente da estética, acredito que TODO mundo deveria ler Um Homem Chamado Ove. Não importa se o fará em inglês, em sueco ou em português. É uma leitura imprescindível nos dias de hoje, e vai acalentar seu coração. O livro nos ensina sobretudo a não julgarmos as pessoas por seu jeito de serem, afinal, todo mundo tem seu passado e todo mundo tem suas próprias batalhas na vida a vencer. E, além de não julgarmos, aprendemos também que sempre podemos ceder um pouco da nossa luz interna, do nosso amor ao outro. Pode fazer toda a diferença na vida de uma pessoa. Lembre-se disso.


Informações adicionais (edição em inglês):

Capa comum: 337 páginas

Título original: En man som heter Ove

Idioma: Inglês

Editora: Washington Square Press; Reimpressão (5 de maio de 2015)

ISBN-10: 1476738025 – ISBN-13: 978-1476738024


Informações adicionais (edição em português do Brasil):

Capa comum: 352 páginas

Editora: Alfaguara; Edição: 1ª (2 de setembro de 2015)

Idioma: Português

ISBN-10: 8579624274  – ISBN-13: 978-8579624278

 

5 comentários Adicione o seu

  1. Monica disse:

    Apesar de nao ter lido o livro, mas, sim, a sua sinopse, senti uma forte conexao e identidade. Quero muito ler esse livro. Em portugues, claro.
    Parabens pelo post!!!

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  2. Joni disse:

    Isa, agora fiquei curioso pelo livro, quero ler em breve.
    A impressão que você passa em seus comentários aqui sempre me empolga.
    Bjs

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