Resenha: Assombro – Chuck Palahniuk

Oi, leitores, tudo bom? Espero que sim, e espero que estejam bem acomodados enquanto leem este post, porque hoje eu trago minhas impressões sobre um livro um pouco pesado: Assombro, de Chuck Palahniuk.

Ah, antes de mais nada, esse post é dedicado à Ary do blog Um pouco de Solitude. Deem uma passadinha lá para conhecerem também!


Sinopse:

Assombro é um romance de histórias construído a partir de 23 contos horripilantes, divertidos e de revirar o estômago. Eles foram contados por pessoas que responderam a um anúncio literário que propunha uma experiência semelhante ao do programa Survivor, em que o anfitrião controla as fontes de aquecimento, energia e comida. Na medida em que os contadores de histórias ficam mais desesperados, seus contos se tornam mais extremos, já que eles fariam de tudo para desenvolver a trama mais chocante para ganhar o reality show. Com certeza um dos livros mais perturbadores de todos os tempos, que só poderia ter saído de uma mente como a de Chuck Palahniuk.


Ok, vamos começar de leve, falando um pouco dos dados técnicos do livro, tudo bem?

A edição que li, que é essa das fotos, é a da editora LeYa, que foi publicado em 2016, mas o livro já tinha saído antes aqui no Brasil em 2007 pela editora Rocco. O título original é “Haunted”, que significa “assombrado”, e que, sinceramente, me parece que teria ficado melhor como título, por ser daqueles livros cujo nome aparece em determinado momento da trama, numa frase de efeito, mas que ficou prejudicado na tradução, já que em vez de “assombrado”, temos “assombro”.

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O livro também tem um subtítulo muito autoexplicativo, “um romance de histórias”, pois nos deparamos com uma história em que 18 pessoas desconhecidas se encontram por acaso, respondendo a uma chamada para um “retiro de escritores”, onde eles esperam escrever a obra-prima de suas vidas. Assim, cada um deles terá um conto/um poema neste livro, que será trazido ao leitor, enquanto a história principal em si se desenrola.

Palahniuk não é exatamente o tipo de pessoa que escreve histórias bonitinhas, caso você ainda não saiba, embora eu diria que, se ele assim o quisesse, ele conseguiria tranquilamente. Mas aí não seria ele. Chuck não é conhecido por sua delicadeza. Ele é melhor que isso. Pelo menos para quem curte esse tipo de escrita.

Pronto. Agora vamos passar à análise do livro em si.


Minhas impressões:

Dezoito pessoas leem um anúncio que propõe que elas abandonem tudo (emprego, família, etc), por 3 meses e recolham-se num retiro de escritores para que, livres de qualquer distração, elas possam criar a obra-prima de suas vidas. Mas qual não é a reação delas ao chegar ao local e se depararem com um lugar sem janelas, com portas trancadas para o mundo exterior, e onde deverão ficar confinadas num verdadeiro teatro onde elas mesmo são os intérpretes e o público?

Bom, vai virar praticamente um reality show, mas um reality show bastante grotesco. Porque é isso que Palahniuk faz.

Cada poema e conto é escrito por uma dessas pessoas confinadas. É por meio desses textos que Palahniuk nos apresenta melhor os personagens. Nesse ponto, ele demonstra muita habilidade, criando estilos de narrativas diferentes para cada personalidade.

Quem já acompanha o blog e me conhece há mais tempo, deve saber que à exceção de alguns livros, eu não curto muito ler contos. Mas — e essa uma exceção também— , aqui, funciona muito bem. Chuck é genial!

Para criar estilos diferentes, Chuck vai se utilizar de técnicas como discurso em primeira pessoa em alguns contos, e terceira pessoa para outros. Também, com o hábil uso de pontuação, alguns contos têm uma narrativa mais fluida enquanto outras são mais truncadas, de acordo com o tipo de personalidade de cada personagem. E o resultado disso é muito bom, muito dinâmico!

Agora, não é um livro para todo mundo. Vou alertá-los, porque não quero depois ninguém vir reclamando que eu recomendei ler um livro horrível e nojento. Eu não penso exatamente assim do livro, mas na contracapa do livro está escrito “CUIDADO! Este livro vai mexer com seus nervos. Macabro. Brutal. Tenso. Nauseante.”. Ele cumpre essa promessa, ok, gente? Então o aviso é sério e está dado.

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O livro exige estômago. É impossível ler esse livro e não ter nenhum tipo de reação. O livro abre nossa cabeça, mas  Chuck nunca faz isso de uma forma agradável.

Eu acredito que o primeiro conto é o pior e o mais torturante, e que ele venha em primeiro lugar por um bom motivo. Parece um tipo de teste. Se você conseguir passar por ele, ainda que sôfrego, você está habilitado a continuar lendo o livro. Se foi demais para você, abandone-o imediatamente, e vá ler algo mais agradável, por favor.

O primeiro conto é horrível. Eu sofri e muito. Eu tentei lê-lo o mais rápido possível, porque queria acabar logo com aquilo. E pior, eu tive a necessidade de depois contar o conto inteiro ao meu marido, tim-tim por tim-tim, porque era muito para mim guardar tudo aquilo sozinha e eu precisa de alguém para sofrer comigo. Mas ele nunca iria ler o livro, então tive que apelar.

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No livro, em geral, há cenas fortes e perturbadoras. Os personagens são bizarros e suas histórias pessoais de por que ou como acabaram no retiro também. E, conforme o tempo deles confinados vai passando, a narrativa da história principal vai se tornando cada vez mais tensa.

Tirando tudo de horrível que o livro proporciona (hahaha), o livro é bizarramente genial. Com “Assombro“, Chuck critica, da forma mais grotesca possível, e com direito a muito palavrão e um humor pra lá de duvidoso, a busca pela fama instantânea e o preço que algumas pessoas estão dispostas a pagar por ela. Se você não tiver nenhum problema com livros pesados, fica minha recomendação para ler este livro!

E você? Já leu algum livro do Chuck Palahniuk? Eu li apenas Assombro e o Clube da Luta, pelo qual o escritor é mais conhecido. Mas, sinceramente, eu gosto mais de Assombro. Clube da Luta é um daqueles livros que eu prefiro de verdade o filme. Qual você gosta mais? E há outros livros que você também gosta mais do filme? Diga nos comentários!


Informações adicionais sobre o livro:

Capa comum: 512 páginas

Editora: LeYa; Edição: 1ª (4 de novembro de 2016)

ISBN-10: 8544104835 – ISBN-13: 978-8544104835

Título Original: Haunted 

 

5 comentários Adicione o seu

  1. Monica disse:

    Nunca li. Talvez leia por curiosidade, mas teria q passar pelo primeiro conto para continuar lendo. Rsrsrs

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  2. Ary disse:

    Awwwwwn Isa*-*
    Que feliz que fiquei em ver uma dedicação pra mim no post *-*

    E mais feliz fiquei ainda ao ler essa resenha maravilhosa desse livro que chamou muito a minha atenção. Gosto do Palahniuk, mas dele só cheguei a ler a duologia “Maldita” e “Condenada”, livros que gosto muito inclusive.

    Esse é com certeza um livro que lerei em breve devido a sua indicação! *-*
    Obrigada pelo carinho Isa. E mais uma vez sua resenha está um arraso!

    Beijos *-*

    Curtido por 1 pessoa

    1. Isa Ueda disse:

      Oi, Ary! Imagina! Promessa é dívida hahaha… falei que traria a resenha pra vc 😊 e que bom que gosta de Maldita e Condenada, acho que vou colocá-los na minha lista de leituras! Eu que agradeço sua visita novamente e suas palavras ❤️ beijos!

      Curtido por 1 pessoa

      1. Ary disse:

        Você é um amor *-* Fico imensamente feliz de ter descoberto seu blog rs

        Maldita e Condenada são bem legais, uma espécie de “aventura” se assim posso dizer juvenil. Li na minha adolescência e gostei bastante.

        Beijos.❤️

        Curtido por 1 pessoa

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