The New York Times: Footsteps: From Ferrante’s Naples to Hammett’s San Francisco, Literary Pilgrimages Around the World

Esta será a primeira vez que trarei minhas impressões de um livro sem ao menos lê-lo completamente. Mas tenho uma justificativa para isso.

Esse livro de título pomposo e gigantesco que vocês conseguem visualizar acima é bastante autoexplicativo e poderia, por si só, apresentar minha justificativa. Mas um pouco prolixa como costumo ser, óbvio que vou falar um pouco mais.

Começando pelo nome. O título poderia ser traduzido como “The New York Times: Andanças: Da Nápoles de Ferrante ao São Francisco de Hammett, peregrinações literárias ao redor do mundo”. Como se pode ver, esse volume reúne uma série de ensaios escritos por colunistas da The New York Times que abordam alguma experiência literária na sua forma mais peregrina (e prazerosa) possível.

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Sinopse:

A verdadeira literatura em si é uma fuga imaginária, e os apreciadores dela estão muito familiarizados com a sensação desconcertante de terminar um romance e ficar um pouco surpreso por estarem em casa em uma poltrona reclinável, em vez de a centenas de quilômetros — e centenas de anos — de distância. Acima de tudo, os ensaios de Andanças são para os ávidos leitores que conseguem viajar simplesmente virando uma página. Vire essas, e elas o levarão ao redor do mundo.

(Tradução livre)


O livro consiste numa antologia de 38 textos, dos quais eu li apenas 10.

E eis o gancho para minha justificativa: eu não li os demais 28 ensaios porque ainda não li nada ou nenhuma obra dos autores sobre os quais eles falam. E eu sei que levaria muito mais de 28 meses para eu concluir essa façanha e finalmente poder terminar a leitura deste livro por completo. Assim, decidi-me por comentar o que li até o momento.

Vocês já se perguntaram como nascem as histórias dos livros pelos quais nos apaixonamos? Bom, essa coletânea pode responder a essa pergunta… pelo menos para alguns livros.

Antes de trazer minhas breves considerações, quero dizer que minhas críticas ficam por conta da ótica da supremacia americana, que dividiu o livro (e basicamente o mundo) em apenas 3 partes: “Estados Unidos”, “Europa” e “Além”. Detalhe: até o vizinho de cima, o Canadá, foi relegado ao “Além”.

Dito isso, posso finalmente começar a discorrer sobre minhas leituras. Vou trazendo os títulos dos 10 ensaios que li, na ordem em que estão no livro e comentando brevemente cada um deles. Dica: para que o post não seja cansativo, recomendo que, pelo título de cada ensaio, você leia apenas aqueles sobre os autores que você conhece ou tem curiosidade de conhecer.

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  • Where Dracula Was Born, and It’s Not Transylvania – Ann Mah (Onde Nasceu Dracula, e não foi na Transilvânia)

No livro, há ainda outros 2 textos de Ann Mah. Gostei bastante da escrita dela. Há um leve humor em seus textos, que deliciam o leitor. Nesse ensaio, como o próprio título insinua, vamos peregrinar até 1890, quando Bram Stocker encontrou em Whitby inspiração para seu famoso romance. Whitby, aliás, aparece bem mais no livro Drácula que a própria Transilvânia. Lendo este texto, conseguimos entender o porquê. Recomendo a leitura aos fãs de terror.

O texto foi originalmente publicado em setembro de 2015 no The New York Times, Travel Section.

  • Finding Alice’s “Wonderland” in Oxford – Charlie Lovett (Procurando o País das Maravilhas de Alice em Oxford)

Com certeza meu ensaio favorito desta coletânea, porque não é segredo algum o meu fascínio por tudo que tenha a ver com Alice. Nesse texto, somos levados à rotina do professor de Matemática Charles Lutwidge Dodgson, mais conhecido como Lewis Carroll. Que texto adorável! Pelas descrições de Oxford, senti-me diretamente transportada para o País das Maravilhas. Recomendo a todos os fãs de Alice. Imperdível!

O texto foi originalmente publicado em novembro de 2015.

  • Blood, Sand, Sherry: Hemingway’s Madrid – David Farley (Sangue, Areia, Sherry: A Madri de Hemingway)

Esqueça Key West, destino turístico muito associado ao escritor Hemingway, e volte seu olhar à Espanha. Mais especificamente à Madri. Era lá o lugar do seu coração, segundo Farley. Corroborando a cidade como a mais querida pelo escritor, é de se notar que Hemingway intitulou um de seus contos que se passa em Madri como “A Capital do Mundo”. Ri bastante com esse texto, ainda mais sabendo de toda pinta de “machão” que o escritor tinha. No texto podemos conhecer lugares que Hemingway frequentava e que são abertos ao público ainda hoje, embora num cenário e contexto bem diferentes à da época do escritor. Um verdadeiro percurso literário, que espero um dia poder fazer.

O texto foi originalmente publicado em junho de 2011.

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  • On the French Riviera, Fitzgerald Found His Place – Nina Burleigh (Na Riviera Francesa, Fitzgerald encontrou seu lugar)

Esse texto me fez ficar um pouco decepcionada com seu livro mais conhecido, O Grande Gatsby. Fitzgerald me parecia um autor que buscava entender o fascínio pela riqueza num tom crítico. Mas a verdade é que este ensaio só me mostrou o quanto o próprio escritor era fascinado pela riqueza. Infelizmente, não posso “desler” este texto, mas mostra o quanto uma obra pode mudar completamente de significado para nós quando somos confrontados com a realidade por trás de sua inspiração.

  • Lake Geneva as Shelley and Byron Knew It – Tony Perrottet (Lago Genebra, como Shelley e Byron o conheciam)

Confesso que nunca li Byron, mas Shelley foi um dos primeiros clássicos que li na minha vida de leitora, quando estava começando a me aventurar pela literatura e tomando gosto pelos livros. Este texto foi uma leitura bastante curiosa, pela qual, na verdade, confirmei alguns boatos que já tinha ouvido falar sobre a roda intelectual (e também inebriante) de Shelley e seus amigos. Os boatos você pode encontrar no livro Assombro, do Palahniuk, ou simplesmente lendo este ensaio.

O texto foi originalmente publicado em maio de 2011.

  • On the Trail of Hansel and Gretel in Germany – David G. Allan (Na Trilha de João e Maria, na Alemanha)

Todos conhecem pelo menos alguma versão da historinha de João e Maria, assim que todos estão convidados à leitura deste texto. Se você, como eu, é um verdadeiro amante de viagens, pode acrescentar o percurso descrito neste ensaio como um próximo roteiro de viagem, na Alemanha. Quem não tiver a oportunidade de topar com o texto, sugiro que procure na internet por “Fairy Tale Road” para conhecer o percurso. Vale super a pena, seja você um grande leitor ou não!

O texto foi originalmente publicado em junho de 2010.

  • Trumping the Unbereable Darkness of History – Nicholas Kulish (Superando a insustentável escuridão da História)

Além de uma ótima referência para percursos literários (obviamente associados a A Insustentável Leveza do Ser), o texto acaba dando dicas de outros lugares que valem a visita de bibliófilos — principalmente os Kafkinianos.

O texto foi originalmente publicado em março de 2008.

  • Searching for Anne of Green Gables on Prince Edward Island – Ann Mah (Procurando por Anne de Green Gables na Ilha de Prince Edward)

Este foi um texto que me permiti a leitura não por ter lido Anne de Green Gables (que está na minha TBR), mas porque estou assistindo à maravilhosa série Anne With an E, na Netflix. Cada cenário lindo! Eu só conheci uma parte do Canadá, e do lado totalmente oposto à Ilha de Prince Edward, mas é um país que me conquistou de imediato. Se um dia eu puder ir novamente ao Canadá, com certeza vou usar esse texto para planejar minha viagem e bolar um percurso literário bem bacana.

O texto foi originalmente publicado em agosto de 2014

  • In Chile, Where Pablo Neruda Lived and Loved – Joyce Maynard (No Chile, Onde Pablo Neruda viveu e amou)

Este texto é uma boa oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o poeta Pablo Neruda, servindo como uma pequena biografia do autor, além de uma ótima sugestão de percurso literário em Santiago. Joyce destaca que já esteve em visita a várias casas de autores e artistas — a maioria delas acabou sendo uma grande frustração, mas a visita a La Chascona foi bem diferente do que ela imaginava. E bem melhor.

O texto foi originalmente publicado em dezembro de 2015.

  • Borges’s Buenos Aires: A City Populated by a Native Son’s Imagination – Larry Rohter (Buenos Aires de Borges: Uma Cidade Povoada pela Imaginação de um Filho Nativo)

Uma das minhas recentes frustrações foi ter lido este texto há poucos dias antes de ir justamente a Buenos Aires mas não ter tido a oportunidade de visitar os lugares mencionados, porque, como sabemos, viagens sempre podem ter imprevistos. Espero poder visitar Palermo com mais tempo e calma e me pôr a percorrer o bairro onde Borges cresceu. Se você é fã de Borges, recomendo a leitura deste ensaio!

O texto foi originalmente publicado em maio de 2006.


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Espero que estas breves impressões tenham aguçado a vontade de tornar suas viagens mais culturais e, da mesma forma, tornar suas leituras mais curiosas, fazendo com que os livros que vocês gostam sejam esmiuçados aos mínimos detalhes, explorando a vida dos autores e possíveis fontes de inspirações.

Como alguém que tem sede por viagens e histórias, esse livro se tornou um pequeno tesouro para mim e um verdadeiro guia para próximas peregrinações literárias minhas. Se você ficou curioso por algum dos textos que comentei, mas não encontrar para ler ou encontrar e tiver dificuldades com o idioma, mande-me uma mensagem e vamos trocar ideias. Não irei enviar o texto, para não ferir nenhum direito autoral, mas posso aprofundar meus comentários para quem tiver interesse.


Informações adicionais sobre o livro:

Capa comum: 304 páginas

Editora: Three Rivers Press (9 de maio de 2017)

ISBN-10: 0804189846 — ISBN-13: 978-0804189842

Idioma: Inglês

4 comentários Adicione o seu

  1. Monica disse:

    Esse livro é verdadeiro guia cultural !!!
    Muito interessante!!!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Isa Ueda disse:

      É bem interessante mesmo pra quem gosta de viagens culturais!

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  2. Tatianices disse:

    Que incrível!! Esse livro parece ótimo e achei muito legal você ter lido apenas dos autores que já leu

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  3. Parece ser incrível! Eu particularmente adoro autobiografias e biografias, principalmente de escritores. Gosto de saber como, onde, pq a historia veio a ser criada, então acredito que iria me surpreender bastante com o livro, sem contar com o aumento viagem cultural!

    Curtido por 1 pessoa

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