O urso e o rouxinol – Katherine Arden

O urso e o rouxinol foi uma das minhas últimas LCs (leituras coletivas) de 2021, que gostei muito de ter participado, porque são elas que geralmente me fazem sair da zona de conforto. LCs dão um gás na leitura por renovar nossas metas e propósitos de leitura. A troca de ideias depois com mais gente sempre é uma experiência enriquecedora.

Então, aproveitando que o livro estava disponível no Kindle Unlimited e que encontrei uma LC (#JustiClube) me joguei na leitura, e achei muito positiva a leitura. Foi uma grata surpresa este livro.


Sinopse:

“O urso e o rouxinol” conta a história de Vasilisa, ou pequena Vasya, uma garota que cresceu sem a mãe, mas na companhia de seus irmãos, um pai amoroso e Dunya, a ama que está na família desde que ela mesma cuidava da mãe de Vasya. Dunya sempre contou às crianças histórias sobre a mitologia das terras selvagens que hoje em dia formam a Rússia, e a história de Vasilisa se passa justamente durante esse período, feudal, de tradição oral, e quando ainda esses deuses e seres mitológicos eram cultuados. Mas o pai, Pyotr, decide se casar novamente, e sua nova esposa, Anna, mostra-se uma madrasta irredutível quanto à decisão de que as crianças não adorem mais tais criaturas. Nessa empreitada, ela ainda receberá a ajuda do Padre Konstantin, que alertará em suas pregações toda a população do vilarejo sobre como tais adorações são obras do mal a quais devem abandonar. Por outro lado, já temerosos e deixando de lado as crenças nos antigos deuses, as colheitas tornam-se escassas e um frio ainda mais intenso aproxima-se. A única pessoa que parece não estar disposta a deixar as homenagens aos deuses antigos é Vasya, mas ela está sozinha nessa decisão, e é vista pela população como uma bruxa.


Minhas impressões sobre o livro:

Eu não imaginava que terminaria este livro tão satisfeita com a história. Comecei bem mal, lendo sem dar muita atenção e caindo no sono diversas vezes. Achei que o sono era um sinal de que a leitura deveria ser abandonada. Porém, percebi que tudo que eu tentava ler neste período (no qual eu ainda me encontro, na verdade), me dava muito sono. Então entendi que o problema não era o livro em si, e sim que o corpo estava pedindo descanso mesmo. Afinal, já são mais de 15 meses dormindo pouco e tendo que levar muita coisa só na base da adrenalina, dos sustos e bom, da cansativa rotina que é cuidar de um bebê.

Chegou um ponto, porém, no livro, que pensei que não dava para levar a leitura adiante daquela forma. Ele tinha trechos interessantes, mas eu não estava conseguindo formar uma narrativa na minha cabeça que fizesse sentindo unindo todos eles. Então eu decidi voltar desde o início e prestar mais atenção. Não reli absolutamente tudo de novo, fiz melhor. Fui grifando tudo que eu achava importante pra entender a história. E escolhi cores diferentes para cada proposta. Amarelo para trechos que descreviam cenas importantes ou personagens e suas personalidades, que explicavam os graus de parentesco; azul para tudo que me parecia referência a alguma outra coisa que eu poderia pesquisar depois ou durante a leitura (por exemplo, os nomes de todas as criaturas folclóricas) ou palavras que eu não conhecia. Depois que terminei o livro vi que tem um glossário no final dele, mas foi bom eu ter pesquisado durante a leitura. Essas buscas me mantiveram ocupadas o suficiente para que eu não sentisse sono e me deixavam cada vez mais curiosa. Creio que foram elas que na verdade impulsionaram a leitura. E, por último, em rosa os trechos que eu simplesmente gostava… seja porque achei bonito,legal, um parágrafo que me fez refletir, me arrepiou ou me arrancou lágrimas. Sim, houve partes do livro em que chorei.

Por já ter lido Anna Karenina, uma leitura russa legítima, não me confundi com os nomes dos personagens, mas às vezes me perdia sim em relação aos graus de parentesco. Por isso a importância dos grifos para mim.

Porém, mesmo a autora Katherine Arden sendo norte-americana e ter optado pelas grafias mais comuns para os leitores americanos (e sobre o qual ela pede desculpas pela transliteração nem sempre correta), achei fantástico o que ela conseguiu com essa obra em termos de retratar uma época em que tão pouco se tem registrado. Além disso, ela conseguiu criar um universo incrível, unindo a ficção histórica com a fantasia das tradições folclóricas da época, deixando ainda espaço para muitas reflexões que continuam atuais sobre feminismo e religião.

Aliás, falando em religião, muita gente não curtiu esse foco da narrativa na parte da religião, por acharem maçante. Eu, na verdade, adorei, porque sempre me interessei muito pelo assunto. Com essa leitura, achei impossível não lembrar dos livros “Eu, Tituba, bruxa negra de Salém” e “Miniaturista”, e do filme “A bruxa”.

O livro encabeça uma trilogia, mas se você não é muito fã de séries, acho que essa leitura cumpre muito bem o papel como leitura independente também.

Por fim, se o gênero fantasia não te atrai muito (eu tenho preguiça, confesso, de ler fantasia), talvez te ajude a animar saber que o livro aborda questões como patriarcado, intolerância (sobretudo religiosa), feminismo, etc sob uma perspectiva bem diferente, levando como protagonista uma garota que é tudo que ela não deveria ser na época, e por isso, uma heroína à frente de seu tempo, muito corajosa e com certeza muito cativante.


Dados Técnicos do Livro:

Capa comum‎: 320 páginas
Autora: Katherine Arden
Editora‎: Rocco; 1ª edição (22 junho 2021)
ISBN-10‎: 6555321180 – ISBN-13‎: 978-6555321180
Tradução: Elisa Nazarian
Título original: The bear and The nightingale

2 comentários

  1. Não sei se meu comentário foi, daí vou mandar outro.

    Eu não gostei desse livro, achei ele mto tedioso, talvez se eu tivesse feito como c fez teria dado um resultado positivo em mim TB, mas tava achando mto sofrida a leitura pra começar tudo d novo. A única coisa q curti foi o clima de fantasia misturado com terras geladas, eu adoro isso.

    Tem um livro que segue esse clima fantasioso com neve, e tem casal de idosos ( acho w não tão idosos) sei q vc gosta de livros com protagonistas mais velhos. Se chama a menina da neve. É sobre um casal que já passou da hora, faz tempo, de poder ter filho. Mas um dia, depois de uma brincadeira sobre como eles queriam que fosse seu filho, caso tivesse, uma criança surge da neve de forma misteriosa. Esse livro é mto lindo. Ele quase ganhou o Pulitzer, eu li depois o livro que ganhou o Pulitzer naquele ano ( toda luz que não podemos ver) e acho q a menina da neve deveria ter ganho.
    Acho q vc iria gostar da historia

    Curtido por 1 pessoa

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