Interestelar (livro) – Greg Keyes

Interestelar, livro romantizado pelo autor Greg Keyes, foi baseado no filme homônimo, com roteiro por Jonathan Nolan e Christopher Nolan.

Eu me lembro da sensação de quando fui assistir ao filme e do impacto que ele causou em mim. Eu adoro como a ficção científica consegue nos fazer encarar a nós mesmos, como espécie, e todas as reflexões que ela gera.

O livro é totalmente fiel ao filme. Ao lê-lo, senti como se estivesse novamente na sala escura do cinema, mas em vez da projeção, as palavras iam formando as cenas na minha cabeça. A grande vantagem de ler o livro, porém, é que podemos voltar quando algum detalhe captura nossa atenção e queremos revê-lo, além de que todas as partes teóricas estão muito mais claras e elaboradas no livro, coisa que eu amei.

Pra quem não viu ainda o filme, a história é a seguinte: estamos numa Terra já bastante hostil aos seres humanos. O fim para eles está próximo. Cooper, assim como grande parcela da população que tenta sobreviver, é fazendeiro ou produtor, e os livros de histórias contam como a ida à lua e todos os grandes feitos cientificos no mesmo sentido foram uma grande farsa. É preciso que a população acredite nisso, para que a pouca energia de que os humanos ainda têm seja despendida com a sua própria sobrevivência e sustento, e não com baboseiras que não colocam comida na mesa. Mas Cooper também era um piloto da NASA. E um dia anomalias gravitacionais começam a aparecer perto de sua fazenda. Desvendando mais a fundo esse mistério surge a promissora possibilidade de salvar não só sua família, mas a espécie humana toda, mas quão distante é preciso ir para salvar aqueles que amamos?

A escrita de Greg é bem fácil de acompanhar, mesmo no gênero sci-fi, que costuma afugentar algumas pessoas. Talvez ideias mais complexas sejam realmente além da nossa compreensão de senso comum, mas mesmo que eu não tenha entendido 100% das teorias, ainda assim recomendo o livro, pelo seu conjunto. É como ler num idioma estrangeiro, em que não saber o significado de algumas palavras não prejudica a apreensão da obra como um todo.

Os dramas pessoais dos personagens também são muito bem explorados, o que é mérito da excelência do roteiro. Mas, lendo o livro, senti uma tensão ainda maior que na poltrona do cinema. Uma tensão que me acompanhou durante toda a leitura. Chorei muito também, o que não me lembro de ter feito olhando maravilhada para a telona, embora não descarte jamais que o tenha feito à época também. Diferente de antes, porém, agora tenho um filho, e foi uma experiência totalmente nova pra mim sequer imaginar minha vida sem ele, e ao mesmo tempo me questionando que tipo de vida lhe espera neste planeta, e, se eu soubesse da possibilidade de salvá-lo de um desastre, eu não o faria?

Os diálogos são simplesmente maravilhosos quando se olha à distância; é um olhar de fora para dentro, e a maior distância que às vezes temos de percorrer na vida são justamente para isso: para que a gente se conheça melhor, como espécie, mas também como pessoas em nossas singularidades.

Enfim, aquele tipo de ficção científica que faz a gente pensar sobre nossas escolhas, faz a gente olhar para nossa humanidade e também para nosso lado sombrio.

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