Minha experiência como mãe

Domingo, dia 8 de maio, é Dia das Mães. Ao longo da existência do blog tenho preparado posts que tragam dicas de presentes ou até mesmo homenagem à minha mãe, tags literária temática, ou como curtir um dia com sua mãe em clima literário (já leu um poema de presente pra sua mãe?), mas este ano, quis fazer um pouco diferente, e contar um pouco de como tem sido a minha experiência como mãe.

A ideia desse post-desabafo surgiu outro dia, quando, pela primeira vez desde o início da pandemia e do nascimento do meu filho, Naoki, me encontrei com uma amiga de anos e pudemos colocar a conversa em dia. Bom, na verdade, mais ou menos. Eu tive que me ausentar infinitas vezes da mesa para correr atrás do Naoki, mas foi tudo maravilhoso, do meu ponto de vista.

Por incrível que pareça, tirando meus parentes mais próximos (pais e irmãos), foi a primeira vez que alguém sentou e perguntou para mim, com genuíno interesse, como estava sendo a experiência de ser mãe. Obrigada, amiga, por ter feito essa pergunta, eu te amo muito!

Então, vou contar um pouco aqui.


Gravidez:

Tive uma gravidez muito tranquila, e, apesar de ser uma grande leitora, não li muitos livros sobre maternidade nesse período. Na verdade, até hoje não li muitos. Sempre tem alguma grávida que pede recomendações de leitura e eu sinceramente não me considero a melhor pessoa pra isso. A maior parte das coisas que estudei ou procurei me informar a respeito na gravidez foi extraído de vídeos, e no máximo de posts no Insta de perfis que passei a acompanhar.

Por outro lado, foi a última fase que me lembro de ter lido muito. De alguma forma, eu sabia que o ritmo das leituras (e tantas outras atividades) não seriam mais os mesmos, e quis aproveitar para ler mais, mas não sobre assuntos relacionados à maternidade.

Tá, mas por que estou contando isso? Porque se você está esperando um filho, e provavelmente você já sabe disso, seu tempo vai passar a andar diferente. Isso não será necessariamente ruim, mas você não vai ter controle sobre tudo como tinha antes. Então, sim, é um conselho batido e irritante, mas… aproveite a gravidez para fazer aquilo que gosta. Eu curti muito a gravidez e a expectativa de me tornar mãe. Tenho saudades do meu barrigão e de sentir Naoki se mexendo dentro de mim. Lembro até hoje quando senti os primeiros movimentos. Parecia um peixe nadando dentro da minha barriga. Essa é uma experiência única, e me faz me sentir uma felizarda.

Primeiros três meses:

A gente esquece. Esquece a dificuldade. Eu lembro, claro, que houve muitas noites em que eu e meu marido não sabíamos o que fazer para que Naoki parasse de chorar e berrar. A gente não sabia o que estava errado, e até hoje não sabemos. Podem ter sido as tais “cólicas”? É possível. Mas Naoki não falava, e nunca vai se lembrar para nos contar. Então o mistério permanecerá. Mas apesar dos choros, ele esteve sempre saudável, crescendo, ganhando peso, e sempre muito atento.

Até os três meses Naoki dormia conosco no quarto, num mini-berço que tinha rodízios e a gente carregava ele pra todo canto no nosso apartamento. Ele sempre teve um sono muito leve e curto, mas até os três meses a gente ainda não escurecia o ambiente pra ele fazer as sonecas e nem para dormir. Coitado. A gente morria de medo de não acordar caso acontecesse algo com ele. Gente, que besteira, os pais acordam sim. Apaguem as luzes e deixem seu bebê dormir confortavelmente. Com o tempo fomos percebendo que ele era muito sensível à luz e sons, e fomos procurando deixar o ambiente sempre o mais sereno e escurinho possível. Instalamos cortinas blackout na sala e no quarto dele, e sempre pedíamos silêncio para quem estava de visita em casa. É assim até hoje na verdade, mas eu chego lá.

Os choros sem motivo aparente na madrugada praticamente cessaram. Às vezes acontece, mas vai ficando mais fácil de acalmar ou distrair. Aquele sentimento de impotência dos pais vai diminuindo. A gente vai ganhando confiança. Mas não aquela confiança idiota que não permite a gente se abrir para novos bons conselhos. Porém é o tipo de confiança que faz com que deixemos de lado palpites infundados e tenhamos a consciência de que estamos tomando a decisão certa, de que conhecemos nosso filho como ninguém mais. É claro, a gente não acerta 100%, e também se arrepende, fica em dúvida, mas a gente também aprende que, na hora, fizemos o que achávamos ser o melhor. E isso, incrivelmente, não funciona apenas para as coisas que dizem respeito ao nosso filho, mas para situações do nosso dia a dia, da vida.

Eu sempre fui uma pessoa muito ansiosa, alguém que sofre muito com mudanças e quebra de rotina, mas acho que foram tantos os desafios como mãe, que hoje me sinto muito mais confiante para fazer as coisas sem sofrer como antes. E isso foi uma consequência incrível que resultou do fato de eu ser mãe.

Dos quatro meses em diante…

Até os três meses, acredito que o maior desafio era entender por que Naoki chorava tanto e como acalmá-lo, mas existia o lado mais fácil também. Ele dormia quietinho onde quer que a gente o colocasse ou no colo de quem quer que fosse (ainda que por pouco tempo).

Quando eu ia à minha mãe (e eu fui muito, procurando por rede de apoio, graças a Deus), e ele dormia, bastava colocá-lo no meio da cama dos meus pais e pronto. Eu sabia que não tinha perigo dele sair de lá. Mas passados os 3 meses, o bebê vai se desenvolvendo e começa a rolar. É maravilhoso! Mas aí aumenta uma preocupação, que na verdade, é ascendente. Mas é tão gostoso acompanhar o desenvolvimento de um ser que era tão pequenino até pouco tempo atrás, cujos pés cabiam juntos numa só palma da minha mão… sério, essa transformação é surreal. As fotos dele recém-nascido sempre provocam um misto de emoções dentro de mim… emoções boas. Eu não lembro das dificuldades quando olha pra elas… só fico mesmo impressionada.

Mas é, os desafios mudam a partir do quarto mês. E com as mudanças, resolvemos que estava na hora de Naoki ir se familiarizando com o quarto dele. Até porque, aquele mini-berço, super prático, estava se tornando pequeno para ele.

João, meu marido, montou o berço e na primeira noite, dormi no quarto junto, numa cama que havia por ali na época, e que já havia sido minha também. Parecia que Naoki estava se adaptando bem, não estava estranhando o quarto. Resolvemos deixá-lo dormir sozinho. Não deu certo. Aquele bebê que parecia que tinha conseguido melhorar o sono porque seja lá o que o incomodava nos 3 primeiros meses parecia ter passado, voltou a chorar muito. Uma amiga minha deu a dica de que poderiam ser os dentes. Não sabemos o que era, mas provavelmente foi isso mesmo. Só que como ele passou a despertar muito, e eu ficava cansada de levantar infinitas vezes para colocá-lo de volta no berço, eu passei a levá-lo para a cama comigo. E bom, fazemos cama compartilhada até hoje. Ele está com 1 ano e 7 meses no momento. A cama na qual dormíamos não está mais no quarto dele. Era uma cama de solteiro pequena, e ele foi crescendo, ficando cada vez mais inviável para dividirmos aquele espaço (e como Naoki é espaçoso para dormir!). A solução foi colocar dois colchões no chão e dormirmos lá. Quando implementamos essa forma de dormir, o momento que eu deitava com Naoki (que até hoje dorme comigo apenas mamando no peito), eu não saía mais do quarto, apenas se precisasse ir ao banheiro de madrugada. Mas apesar de devagar, eu e João percebemos um progresso no sono dele, e então, hoje em dia, eu vou para o meu quarto até a primeira acordada do Naoki. É uma loteria. Tem noite que Naoki acorda com 40min, tem noite que ele acorda só depois de 3h. Mas sabe qual é a verdade? EU não durmo enquanto não estou com Naoki.

Sempre que ficam sabendo que faço cama compartilhada, é inevitável a enxurrada de críticas ou perguntas, questionando se eu não estou fazendo com que meu filho demore a ter mais independência. Eu sempre respondo exatamente isso que falei acima: “olha, ele, eu não sei, mas eu mesma só consigo dormir quando estou com Naoki”. Falo isso para já ir cortando o assunto. Geralmente funciona. E é verdade. Só que, eu não acredito que estou impedindo Naoki de ganhar autonomia. Até hoje ele acorda bastante e muitas vezes não se dá conta de que estou junto com ele no quarto, só que no colchão ao lado, e ele fica desesperado me chamando. Eu vejo que ele não está pronto para dormir sozinho, então decidi por ora que vou ficar, até que ele se sinta seguro sem mim. Pode ser que demore, mas acredito muito que lá na frente isso será muito positivo. Muitos pais querem tanto que os filhos sejam independentes logo, mas acabam sabotando o processo ao cortarem de forma muito brusca alguns laços de dependência que são importantes para o bebê. Não estou criticando quem não compactua com a cama compartilhada. Cada casa, cada bebê, cada mãe e pai têm suas realidades e sabe o que funciona melhor. Aqui, tem funcionado assim.

Eu sempre fui uma pessoa muito insegura. Fico seriamente me questionando se não aconteceu algo que tenha me forçado a lidar com meus problemas sozinhas, sem a ajuda de adultos, e como isso pode ter contribuído para a minha insegurança. Não culpo meus pais. Acredito que eu tenha sido uma bebê e uma criança que não manifestava muito o próprio descontentamento, e que isso me prejudicou. E na época também, não havia tanta informação como existe hoje, e tão acessível. E foi graças ao fato de eu ter me tornado mãe é que também pude fazer esse tipo de análise e me conhecer melhor. Ter me tornado mãe me fez querer saber melhor sobre meu passado, sobre como penso, sobre quem sou. Me tornou uma pessoa mais crítica, mas também mais amorosa. Eu mesma não sabia que poderia ser tão paciente, e me espanto toda vez com isso.

Outra coisa que acredito que tenha sido uma consequência de ter me tornado mãe é o fato de que redescobri meu amor pelo meu marido. Claro, eu sei que amava ele, foi por isso que decidimos ter um filho juntos. Mas o que quero dizer é que, sinto que estamos mais unidos do que nunca. Há quem acredite que ter filho atrapalha o relacionamento. Eu não discordo. Ter filho é uma puta duma responsabilidade. Desculpem o palavrão. Se o casal não souber viver essa nova fase da vida juntos, não vai dar certo. Eu até brincava com meu marido nos três primeiros meses, dizendo que quem fala que tem filho para salvar casamento, não sabe o que está fazendo. Sinceramente, um filho jamais salva um casamento. Se um dos dois quiser pular fora, ele vai pular, com ou sem filho.

Obviamente, eu e meu marido nem sempre concordamos. Eu sou a mãe leoa, que não deixa ninguém levantar um A pro meu filho injustamente. Nem mesmo o pai. Mas o que a experiência de maternidade tem me mostrado é que, às vezes, nos detalhes, eu e o pai estamos na mesma frequência. Palpites chegam ao monte, de todos os lados, mas é muito bom poder conversar abertamente com João e ver que ele concorda comigo em muitos aspectos, e descartamos juntos palpites e mais palpites, por mais bem intencionados que sejam. Adoro quando ele defende também uma postura minha, e me poupa de ter que bancar a “palestrinha”, dando aula para as pessoas sobre porque fazemos do jeito que fazemos. Enfim, eu olho para ele e consigo entender por que me casei com ele e por que o escolhi como o pai do meu filho.

Não quero florear a maternidade. É desafio atrás de desafio. Mas entre cada um deles, tem muitas outras coisas, coisas boas!

Quando uma amiga minha estava grávida, e Naoki já tinha nascido, eu havia lhe dito que noites difíceis viriam, mas para ela ficar tranquila, porque muitas dessas noites difíceis também trouxeram junto alguns dos momentos mais felizes da minha vida. E esse pequeno recorte ilustra bem o que tem sido ser mãe pra mim. É uma montanha-russa. O terror beirando, depois a empolgação de ter superado aquilo, a euforia, depois a calmaria, e logo o terror de novo. A vida é assim já, né? Cada um vive a sua montanha-russa. Só que com filhos, acredito que a gente pegue carona numa um pouco mais radical, e é preciso encará-la, com coragem. E não tem nada de errado em às vezes chorar de desespero. Eu já sentei e chorei muito, muitas vezes junto com meu filho, muitas vezes sozinha, escondida, debaixo do chuveiro ou debaixo das cobertas. Mas eu sei que sou minha melhor versão por ter me tornado mãe.

Obrigada, Naoki, por ter me proporcionado tudo isso.

3 comentários

  1. Que lindo Isa! Eu já sabia que éramos parecidas em algumas coisas, mas ao ler esse seu texto vi que somos igualzinhas no quesito maternidade! 😅 Aqui também durmo com a Aurora, ainda estamos no mamá e tantas outras coisas. Sempre que precisar de ajuda, seja pra dar conselhos, pomadas pra dente crescendo, ou desabafar sobre a maternidade, pode contar comigo! Ser mãe é uma experiência muito doida mesmo e fico feliz de ter você, mesmo que meio distante, pra compartilhar essa experiência ❤

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  2. A maternidade é a melhor versão de uma mulher, assim acredito!
    Na melhor intenção, a mãe decide e age!
    E age com a convicção de ter tomado a melhor decisão.
    Nem sempre a mãe acerta. Mãe falha também e muito.
    Cada mãe carrega um mundo único, experiências, vivências únicas …
    Para compreender uma mãe é preciso muita empatia, amor, saber “escutar” o que não é dito …
    Mãe quer que o filho seja feliz ❤️

    Curtido por 1 pessoa

    1. Sei que nem todo mundo tem a sorte de ter uma mãe que realmente se importa, mas nesse caso, eu e meus irmãos tiramos a sorte grande e espero estar transmitindo pro Naoki tudo que aprendi de bom com vocês e todo o amor e carinho que recebi

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