Why dust shall never settle upon my soul – Ryka Aoki

Sempre que posso, tento incluir livros de poesia nas minhas leituras. Com a assinatura do Kindle Unlimited, isso ficou muito mais fácil, e, por poder ler em inglês, as opções são ainda mais variadas.

Entre uma leitura e outra geralmente estou lendo ou um livro de contos, de crônicas ou de poesias, e foi nesse ritmo intercalado que no mês de abril eu finalizei “Why dust shall never settle upon my soul“, da autora Ryka Aoki, que, além de ser uma leitura que entra para meu desafio Lendo Asiáticos, também traz mais diversidade para minhas leituras, por se enquadrar também em livros escritos por autores LGBTQ+. Na verdade, o livro é bastante voltado para o tema LGBT, e sem dúvida são os poemas que tratam do tema os que mais ganharam meu coração.

Sinceramente, não foi um livro que me conquistou por inteiro, porque por mais que ele tenha poemas cujo arrepio foi instantâneo, houve muitos também com os quais eu simplesmente não senti conexão alguma. Mas é inegável que os temas trabalhados, por trazerem muitas cenas do cotidiano, poderão despertar em outras pessoas uma identificação.

Ryka Aoki tem uma cadência de enumeração em sua poesia. E nesse rol entram deste objetos a ações. Achei que às vezes eu não sabia como absorver esses elementos e por isso não houve conexão. Mas a menção honrosa para mim, e que valeu a leitura toda do livro, foi o “Last post on Facebook”, que faz parte do item 4 da parte “The Woman of Water Dreams”. Esse poema me quebrou. Vou deixar só alguns versos dele abaixo:

Last post on Facebook:

Someone misdialed her number

but called her a faggot, anyway.

[…]

It is comfortinf to declare,

“I have always been me!’

But my friends used to call.

My aunty once held me as I slept.

Infelizmente, esse livro me fez sentir uma dor enorme pelas pessoas que não são aceitas por serem quem são. Mas acredito que a incitação dessa dor seja necessária para que as palavras ainda tenham o poder de transformar as pessoas de alguma forma positiva. O livro, portanto, não deixa de ser uma homenagem a tantas vidas trans perdidas, cuja dor transmite não apenas pesar, mas também força e resistência.

No prefácio do livro (foreword), que eu amo, escrito pela própria autora, ela fala como, de início, ela queria escrever um livro que fosse uma espécie de fuga da dor do mundo, mas então se questiona se as pessoas realmente se interessam por poemas que venham de um lugar tão tranquilo e bucólico. Lembra-se de um professor que teve na universidade que dizia que, “nos Estados Unidos, as pessoas matam os seus poetas com sua gentileza”. Quando ouvia isso, ela achava loucura, mas com o passar do tempo, entendeu; afinal, poetas parecem sempre emergir de lugares e espaços de opressão. São pessoas saídas de lugares assim as que parecem mais sedentas por versos e por existir. Então sim, há muita dor no livro de Ryka Aoki, mas há sem dúvidas um desejo enorme de trazer algo que fale por tantas outras vidas sofridas.

Sobre a autora:*

Ryka Aoki é poeta, compositora e professora. Ela leciona Inglês em Santa Monica College e Estudos Queer na Antioch University. Duplamente finalista do Lambda Award e vencedora  do Eli Coppola Chapbook Contest, do Corson-Bishop Poetry Prize, e agraciada por um University Award pela Academy of American Poets.

*Informações extraídas do site www.rykaryka.com


Dados Técnicos do Livro:

Formato: E-book para Kindle, ‎ 110 páginas
Autora: Ryka Aoki
Editora: ‎ Biyuti Publishing (Toronto, 29 julho de 2015)
ASIN: ‎ B0131LAH0M
Tamanho do arquivo: ‎ 782 KB

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