Há quem só leia clássicos, é verdade, e não há nada de errado nisso.
Por aqui, gosto de variar os gêneros literários, e os clássicos fazem parte das escolhas algumas vezes.
Clássicos são clássicos por um bom motivo, afinal. Apesar de atravessarem gerações e gerações, suas histórias permanecem com alguma questão que sempre gera reflexões atemporais, ou, ainda que tais livros retratem a sociedade de suas épocas originais, sempre permitem fazer as devidas comparações e contrastes de lá para cá, muitas vezes gerando inclusive frustrações e repulsão no leitor, ao se deparar com parcas mudanças.
Então, claro, eu tenho uma lista considerável de livros clássicos que ainda quero ler, mas se me perguntarem quais os 5 livros clássicos que eu mais gostaria de ler, são estes:
Mulherzinhas – Louisa May Alcott

Pois é. Este é um clássico que ouvi falar pela primeira vez (pasmem), através de ninguém menos que Rachel Green. Isso, a Rachel de Friends! E não, eu não assisti Friends na época em que a série passava na TV a cabo. Eu já era adulta, praticamente casada, e até então nunca tinha ouvido falar do livro. Não o li até hoje por diversos motivos, mas confesso que um deles foi por causa do próprio título, que não despertou meu interesse, mesmo a Rachel jurando que era muito bom e o Joey deixando bem claro como concordava com ela. O nome me soa bobo, e tenho certeza que é para ser assim. Mas de lá para cá não foram poucas as referências ao livro que vislumbrei em diversas outras leituras, o que me fez criar um interesse enorme e até figurar no meu top 5 aqui.
A Cor Púrpura – Alice Walker

Alice Walker é um desses grandes nomes na literatura que na verdade a gente só toma conhecimento se sai um pouco da bolha que está sempre lendo clássicos a) escritos por homens e b) pessoas brancas. Sim, porque autoras mulheres negras acabam muitas vezes preferidas nas indicações literárias de clássicos, mesmo quando vencedoras de prêmios como o Pulitzer. Da autora, li apenas A terceira vida de Granger Copeland, graças a uma parceria com o Grupo Editorial Record. Achei a leitura muito boa e fluida. Comecei intimidada, pelo peso do nome da autora, mas terminei completamente maravilhada pela fluidez que foi ler o livro e tudo que ele me fez pensar. Agora, por que ainda não li A cor púrpura? Pelo mesmo motivo que demorei anos para ler A casa dos espíritos, da Isabel Allende. Quando conheço a escrita de algum autor ou autora que não seja iniciando pelo seu livro mais popular ou famoso, mas acabo gostando, é um pouco inevitável criar uma expectativa muito grande em relação ao seu título mais conhecido, e isso acaba gerando um receio enorme de me decepcionar com a grande obra. Eu sei, não deveria ser assim e parece bobagem. Mas a verdade é que, vejam bem, eu não amei A Casa dos Espíritos, como achei que amaria. Então, é raro, mas acontece com frequência. A porta de entrada num universo de algum autor carrega um peso enorme. Você nunca sabe se no próximo livro você sairá completamente fascinado, certo de ter encontrado um novo autor favorito, ou se terminará com a sensação horrível de que deve haver alguma coisa errada com você, porque TODO MUNDO adorou aquele livro, mas não você.
Cem anos de solidão – Gabriel García Márquez

Ah, o Gabo. Sim, Gabriel García Márquez, e novamente, aqui, trazendo sua magnus opus. Apesar da carga dramática contida no tópico anterior, não preciso me delongar e repetir por que ainda não li este livro. Por outro lado, o primeiro é único livro que li do autor não foi um favoritado, o que melhora sua propensão de que Cem Anos de Solidão venha a se tornar um favorito.
Os Miseráveis – Victor Hugo

Confissão: assisti ao filme musical, aquele com o Hugh Jackman, e não amei nem odiei (ok, talvez eu tenha me incomodado muito com a atuação do Russell Crowe, embora eu goste muito dele. Acho só que cantar não é seu forte.
Mas o que o filme tem a ver, né? Geralmente adaptações só me afastam ainda mais do interesse em ler o original, porque reduzem drasticamente a história para caber num roteiro que dure apenas algumas horas de tela e o telespectador termina sem entender exatamente tudo que não está dito mas que esperam que entenda.
A verdade aqui é bem simples. Quero ler porque tenho uma amiga que leu e sempre tenta me convencer a ler, para trocarmos figurinhas. E, sério, eu amo conversar com ela sobre várias coisas, mas livros não é algo que se possa conversar com qualquer pessoa, então, sim, quero ler, para um dia conversarmos sobre esse livro.
Meu medo é apenas que calhamaços costumam me assustar um pouco. Este é um livro que exige disciplina para que eu o termine num tempo razoável, sem me desconectar da leitura por levar tanto tempo para concluí-la.
Mrs. Dalloway – Virginia Woolf

Virginia Woolf é uma autora que eu admiro demais e que já passou por três provas de leituras minhas (Um teto todo seu; Orlando: uma biografia; e Ao Farol) sem nenhuma decepção. Isso não é para qualquer autor, certo?
Mas eu a considero desafiadora. Não acho que Virginia Woolf seja, para mim, uma leitora sem nenhuma formação técnica em literatura ou coisa do tipo, uma autora que eu consiga sempre entender tudo que ela escreva já de primeira. Absolutamente, todos os 3 livros que li exigiram bastante do meu intelecto e da minha concentração, muitas vezes requerendo a releitura de trechos até assimilar a ideia do que estava escrito e sempre fazendo uso de um bom material de apoio. Ou seja, exige um mínimo de pesquisa para eu me aventurar pelas obras dela. Mas Mrs. Dalloway é sua obra de ficção mais famosa, e gostaria muito de pô-la à nova prova da impecabilidade de Woolf.
Já leram algum dos clássicos da minha bucket list*? Por qual eu deveria começar? Ou, se ainda não leu nenhum deles, embora tenha curiosidade e interesse, consegue elaborar o motivo de ainda não tê-lo lido?
Além disso, tirando Mrs. Dalloway, ainda não tenho nenhuma edição dos demais livros, e, portanto, quem quiser me deixar sugestões de boas edições para ler dos livros listados acima, vou adorar, sobretudo se no livro constar algum texto de apoio, como uma introdução bem bacana que traga algum contexto histórico ou aqueles textos anexos que vêm ao final do livro.
As edições que aparecem nas imagens são meramente ilustrativas e são das edições que já vi por aí (a maioria é do Grupo Editorial Record por conta da parceria que tive com eles por 2 anos e, portanto, chegaram a meu conhecimento, mas não significa necessariamente que são as edições por onde quero ler).
*Bucket list é uma expressão que vem de outra expressão em inglês, o “kick the bucket”, chutar o balde, mas que se aproxima mais da nossa expressão, em português, “bater as botas”. Assim, bucket list é uma lista de coisas para se fazer antes de morrer. Esses são os 5 clássicos que quero muito, portanto, ler na minha vida.
Adorei sua lista e quero muito ler “Os Miseráveis” também.
“Mulherzinhas” é um dos livros que mais gostei de ler até hoje, e “A Cor Púrpura” eu li há pouco, e gostei bastante apesar de achar um livro sofrido.
Os outros dois que você comentou eu vou pesquisar sobre, são autores que me intimidam um pouco, não sei bem o motivo… Belo texto!
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Obrigada! Já passou um tempo e ainda sigo sem ter conseguido ler nenhum da lista, infelizmente.
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Boa sorte! Espero que logo consiga ler algum.
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