O que Aconteceu com Annie – C. J. Tudor (Caixa de Março – Intrínsecos)

Se a caixa de fevereiro eu falei que se salvou por conta da ótima escolha da obra, a caixa de março foi maravilhosa!

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O que Aconteceu com Annie – livro 006 Intrínsecos

Comecemos pelo livro: “O que Aconteceu com Annie”, da escritora C. J. Tudor. Eu não li até hoje o tão elogiado livro “O Homem de Giz”, também lançado pela editora Intrínseca, mas agora que já conheci alguma coisa da autora, estou bem disposta a lê-lo! Fiquei muito animada, sério. Acompanhe a sinopse:


Sinopse:

Certa noite, Annie desapareceu. Sumiu da própria cama. Foram feitas buscas e apelos nos noticiários, todos imaginaram o pior. Passadas 48 horas, ela voltou, sem ser capaz de dizer o que tinha acontecido. E voltou diferente. Não era mais a Annie. Não havia quem admitisse, mas a verdade é que todos passaram a achá-la esquisita.

Joe Thorne, o irmão mais velho de Annie, era adolescente quando tudo isso aconteceu. Agora, vinte e cinco anos depois, um e-mail anônimo o arremessa de volta a esse terrível passado: Eu sei o que aconteceu com sua irmã. Está acontecendo de novo. Joe precisa voltar.

Retrato perfeito do anti-herói, sem pudores e sem arrependimentos, Joe leva uma vida que parece mais uma colcha de retalhos de tragédias e escolhas ruins. Viciado em jogo, atolado em dívidas e bem longe do vilarejo onde foi criado, ele vê nesse retorno uma possibilidade de escapar dos credores e de, quem sabe, resolver as questões que arrasta consigo desde quando tudo deu errado.

Arnhill, o vilarejo (fictício) próximo a Nottingham, onde se passa história, é um daqueles ambientes que funcionam quase como protagonista da trama. A comunidade formada décadas e décadas atrás em torno da exploração de uma mina, a população isolada e pouco hospitaleira, os pubs, os velhos mineiros e a mitologia assombrada do poço abandonado da mina. Uma atmosfera úmida e claustrofóbica que C. J. constrói à perfeição.


Minhas impressões sobre o livro:

Tudor trabalha muito bem o suspense, instigando o leitor, que sempre quer saber mais, a devorar as páginas. E eu a achei um pouco traiçoeira com o leitor (no bom sentido), o que torna o clima e a atmosfera de mistério ainda melhor:  a história vai se desenrolando e o leitor tem aquela ligeira impressão de que a cada capítulo sabe um pouco mais, que tem mais informações, mas a verdade é que Tudor apenas semeou mais dúvidas, mais detalhes sem os quais o leitor não pode ir adiante na solução, mas que ao mesmo tempo não servem para encaixar todas as peças. Ao leitor são dadas muitas peças soltas e ele vai coletando-as avidamente, na esperança de montar a imagem final do quebra-cabeça. É essa a sensação que tive lendo O que Aconteceu com Annie.

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O livro também tem um reviravolta, que eu sempre gosto muito em livros de suspense. Mas embora o livro seja assim classificado, eu ainda diria que há um certo terror psicológico. O poço tem algo de sombrio, que para mim vai além do suspense. Tanto que, confesso (pois não tenho vergonha nenhuma de admitir que sou medrosa), tive que escrever essa resenha durante o dia. Eu comecei a escrevê-la à noite, sozinha em casa, mas enquanto sentada eu me punha a relembrar a história, os barulhos das trevas e penumbras me deixaram bem pouco à vontade com meus próprios pensamentos, e eu esperei, sem constrangimento algum, o dia seguinte chegar para dar continuidade no post.

Dei 4 estrelas ao livro e não 5, embora eu o tenha adorado,  por um motivo que pode parecer bobo, mas não é na verdade. Achei que falta um pouco de confiança em Tudor em seu próprio trabalho. O que não é razão para desestimulá-la, certo? Por isso, 4 estrelas me parecem bastante justo.

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Tudor usa muitas metáforas e comparações. A maioria delas são realmente bem legais; referências, inclusive, muito divertidas para mim, que consegui entendê-las todas, mas às vezes são tão frequentes (num mesmo capítulo — que são bem curtos) e todas são criadas com a mesma estrutura, que acabam se tornando exaustivas, desnecessárias e perdem o efeito cômico desejado. Poderia usar essa criatividade para aprofundar melhor outras questões e trabalhar melhor alguns personagens que no final ficam meio esquecidos, por exemplo.

Eu digo que isso me parece falta de confiança pelo mesmo motivo que meu marido reclama dos filmes da Marvel (perdoem-me fãs, essa é a opinião dele, mas que vou utilizá-la aqui): às vezes os escritores precisam acreditar mais no potencial de sua obra por seus méritos dramáticos que procurar alívios cômicos toda vez que a trama se envereda por aqueles caminhos. No caso de Tudor, não apenas méritos dramáticos como  de suspense. Assim, eu preferiria ver menos “gracinhas” e mais aprofundamento dos personagens. Sei que o próprio Joe, o protagonista, tem esse lado de querer ser o piadista para não ter de revisitar os traumas do passado, e que é ele mesmo quem narra a história, mas faltou dosar um pouco a veia cômica.

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Agora, como livro de suspense, realmente, não tenho do que reclamar. Eu não via a hora de chegar ao fim do livro, porque esse efeito Tudor orquestra maravilhosamente bem. Ela me deixou curiosa o suficiente para eu também ler O Homem de Giz. E eu entendo que quando nos propomos a ler outra obra de um autor ou uma autora, de duas, uma: ou não estamos suficientemente convencidos — embora todos lhe digam que sim —  de que a pessoa escreve bem elá vamos nós investigar novamente, ou então fomos suficientemente cativados, quando não já nos tornamos membros do fã-clube. Nesse caso, felizmente, estou na segunda opção, mas sem a parte do fã-clube por enquanto.

Em suma, é um livro bem gostoso e bem rápido de ler. Joe é bem carismático, então dificilmente o leitor não tomará as suas dores e seu lado. O grau de suspense é ótimo e o desfecho do livro foi bem satisfatório, ainda que carregue um certo grau de cliché para o gênero. Sinceramente, prefiro assim, mas isso, só depois de vocês lerem o livro poderão concordar ou discordar de mim.


Minhas impressões sobre o kit de março/2019:

Fiquei bem feliz que no mês de março o livro escolhido tenha sido de uma autora, mulher. Afinal, março é o mês das mulheres, e eu havia me proposto a somente ler livros escritos por mulheres ao longo dele. Como podem perceber, pude ler o livro ainda em março, portanto.

Confesso que fiquei surpresa com a decisão do livro, que também se encaixaria muito bem para um mês de outubro, por exemplo, que se comemora o Halloween, mas ainda assim foi uma boa escolha.

De brinde, até agora, foi meu favorito, porque eu coleciono cartas “curingas” de baralho, e bem, ganhamos um baralho! É meu primeiro curinga literário, então fiquei muito empolgada! Coisa de colecionador, eu sei.

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O marcador de página e o cartão postal com a vindoura capa do livro também me agradaram bastante, além da própria edição capa dura para os assinantes, que combina com a edição também de O Homem de Giz.

A revistinha está com um conteúdo muito bom também para os fãs do gênero suspense/terror, embora eu não tenha tido coragem de ler tudo pelo mesmo motivo que falei acima sobre a hora escolhida para escrever esta postagem: sou medrosa. Mas eu sou a típica medrosa que vai assistir filme de terror e nas horas mais apavorantes coloca a mão na frente do rosto. Só que na hora H mesmo abre levemente os dedos para poder entreolhar. Ou seja, a curiosidade sempre é maior. Isso quer dizer que vou acabar lendo a revistinha toda uma hora. Mas vi que eles trouxeram um trecho do livro O Rei de Amarelo, de Robert W. Chambers, que achei bastante oportuno. Afinal, é um livro que pouca gente conhece ou ouviu falar, mesmo para quem gosta de terror, porque muitos sequer imaginam se tratar de uma obra de terror. Eu o li há muitos anos, e achei muito bom.

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Agora estou ansiosa no aguardo da caixinha de abril. O que será que teremos?

Ficou curioso? Quer ser um assinante do Clube Intrínsecos também? Clique aqui.


No mais, é isso que eu tinha para falar para vocês.

Espero que tenham gostado da caixinha de março tanto quanto eu e que leiam o livro quando ele sair nas livrarias também.

Até a próxima!

13 comentários Adicione o seu

  1. Bia Ribeiro disse:

    Adoro o Rei de Amarelo. Pena que realmente poucas pessoas conheçam a obra. P.S.: também sou medrosa!! Coloco as mãos no rosto, espio, fico nervosa, olho para o lado, brigo com personagem tonto que morre por besteira kkkkkk

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    1. Isa Ueda disse:

      Se algum dia você fizer, ou caso já tenha feito, uma análise sobre a obra O Rei de Amarelo, gostaria muito de ler!
      Kkkkk, também fico brava com esses personagens… mas na vida real, acho que eu faria as mesmas coisas, pois sou curiosa demais kkkk

      Curtido por 1 pessoa

      1. Bia Ribeiro disse:

        Nunca analisei O Rei de Amarelo, mas é uma ótima ideia 🙂
        Também sou curiosa, mas acho que sobreviveria pelo menos um pouco mais que os personagens que morrem logo no começo kkkkkkk

        Curtido por 2 pessoas

  2. Monica disse:

    Como sempre, seus post provocam o anseio a leitura.
    Toda vez que leio as resenhas penso “quero ler este livro”.
    Tem tanto livro na lista que já está ficando difícil a triagem das prioridades 😉

    Curtido por 2 pessoas

  3. Oies Isa! Ainda não tive coragem de assinar alguma caixinha literária, mas essa história me deixou bem curiosa, quando vc citou um poço lembrei de “Em águas profundas” da Paula Hawkins, já leu?

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    1. Isa Ueda disse:

      Não li. Não li ainda nem o outro livro dela, A Garota no Trem, só vi o filme. Vc gostou?

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      1. Adorei os dois, se bem que o segundo é tipo ame ou odeie, por conta dos múltiplos pontos de vista.

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  4. Eu costumo sentir que você explica bem os livros que lê, Isa. Gosto de todas as suas análises. Belas fotos. Adorei as cartas, também. Uma coleção de curingas!
    E o que são essas “caixinhas” mensais?

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    1. Isa Ueda disse:

      Eu expliquei melhor sobre as caixinhas num primeiro post que trouxe a leitura do meu primeiro livro como participante do Clube Intrínsecos 😊 basicamente eu escolho o plano que desejo assinar (mensal ou anual), e após confirmação do pagamento a editora me manda uma caixa com um livro inédito e numa edição especial para os assinantes, com marcador de página e cartão postal personalizados com a capa da edição do livro que sairá depois nas livrarias. Todo mês também vem um brinde aumentando a interação entre o leitor e a obra escolhida, porque o brinde sempre é algo relacionado à leitura. O baralho tem a ver com o “amuleto” do protagonista, porque ele carrega sempre com ele um maço de baralhos pra dar sorte.

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      1. Iniciativa excelente. Ótima ideia. O lance do brinde fecha com direito a aplausos. Um clube que parece ter sido criado por você 😁

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      2. Isa Ueda disse:

        Hahaha. Por mim não sei, mas perfeito pra mim, com certeza!

        Curtido por 1 pessoa

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