2020: meu ano sem metas literárias

Para este ano não estipulei nenhuma meta, porque achei totalmente desnecessário. Além de eu não ter seguido ferrenhamente meus objetivos em 2019, acabei ingressando em outros projetos que, sinceramente, me pareceram muito melhores que os desafios que eu havia me proposto inicialmente.

Acontece, e isso pode ser maravilhoso. No meu caso, o resultado das metas foi frustrante mas a consequência foi incrível.

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Foto: PatternPictures (via Pixabay)

Não fiz:

  • Não li nenhum livro canadense em 2019, mas talvez tenha sido melhor, porque passei a assistir à série “Anne With An E”, e isso fez com que eu fosse atrás do material original (o livro, Anne of Green Gables) e tivesse um novo olhar sobre a própria série, que eu já amava.
  • Li pouquíssimas HQs, mas creio que ter lido uma das mais aclamadas obras do gênero, Persépolis, veio a compensar isso.
  • Mesmo dentre as metas que eu mais li livros dentro da proposta (ler mais nacionais), meus feitos ficaram aquém do esperado, bastante medíocre, eu diria.

Porém…

  • Eu acabei me envolvendo no projeto Mulheres Continentais, que objetivava ler um livro escrito por mulher de cada um dos continentes (a América tendo sido dividida em Norte, Centro e Sul). E foi um projeto que embora eu tenha ingressado apenas em agosto, já no segundo semestre, achei muito mais pertinente e gratificante que qualquer um dos que eu havia planejado. Fui tocada pelo desafio tão intensamente que sigo lendo muitas autoras mulheres (este ano, todos os 10 livros lidos por mim foram escritos por mulheres!).
  • Como participei também de uma leitura coletiva muito bem sucedida, agora no começo de 2020, pretendo tentar outras ao longo do ano, porque conversar sobre livros é uma das coisas que mais gosto.

Até, me perdoem os amigos com quem eu converso MUITO sobre livros. Mas se chego a falar de livros com vocês, saibam que é porque considero cada um de vocês uma fonte imensa de alegria em minha vida, além de um(a) excelente amigo(a).

  • Falando em amigos, mesmo que não seja uma leitura conjunta, outra coisa que achei muito construtivo foi ler os mesmos livros que alguns deles me indicaram, me presentearam ou mesmo já tinham lido e que não estavam inicialmente programados para eu ler tão cedo. Isso me proporcionou uma sensação inigualável de proximidade e estreiteza de laços, que espero que o tempo (e mais leituras — em comum ou não), continue permitindo.

Portanto, vamos dizer, por ora, que “não vamos colocar meta, vamos deixar a meta aberta, mas quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta”. Brincadeiras à parte, vou planejar algumas leituras sim, não apenas por causa das parcerias, mas também para o Clube do Curinga que continua a todo vapor!

Agora, se você tem algum projeto ou meta de leitura interessante e que gostaria de compartilhar e chamar mais pessoas para participar junto, me apresente sua proposta; quem sabe eu possa aderir ao desafio?

Uma proposta que eu achei bacana, e que pode ser feito ao longo dos anos, por exemplo, é ler os livros que constavam da lista dos 43 livros que o governo de Rondônia pretendia censurar nas escolas. Que vergonha, não? Em pleno século XXI ainda quererem censurar obras literárias nas escolas?! Governos que não permitem que seus cidadãos construam, através dos livros, seu próprio senso crítico querem adestrar os estudantes limitando-os a uma mente fechada, desprovida de imaginação e discernimento. Ser conivente com tal absurdo é contentar-se com o fato de que seus filhos, netos, crianças e jovens em geral não recebam todas as ferramentas e recursos disponíveis para se tornarem a versão mais lúcida, perspicaz e capaz de si.

Da lista constam, por exemplo, todos os livros de Rubem Fonseca; O Castelo, de Franz Kafka; Macunaíma, de Mário de Andrade; Contos de Terror de Mistério e de Morte; de Edgar Allan Poe e Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (simplesmente meu livro nacional favorito). Fico feliz que alguns dos livros cuidadosamente escolhidos para serem banidos, embora eu não os tenha lido ainda, estão bem acessíveis para mim, a um estender de braço do meu alcance!

Eu começaria com algum do Rubem Fonseca, já que parece haver algo pessoal com o contista! O que vocês me dizem?

Mas contem-me se vocês têm algumas leituras programadas para este ano ou se estão participando de alguma maratona, desafio ou projeto de leituras. Vamos trocar ideias e figurinhas.

E sim, como leitora, digo que é nosso dever cultivar o sentimento de indignação e repúdio a qualquer proposta de censura de livros, pois se nos calamos diante dos absurdos, um dia eles deixam de sê-lo.

7 comentários

  1. Formidável deixar meta em aberto!
    Somos movidos ou pressionados por metas, metas e metas.
    Caminhamos para um mundo onde dados estatísticos são valores e bastam, esquecendo “quem” está atrás dos dados estatísticos…
    Metas são importantes, mas qual o limite?

    Curtido por 1 pessoa

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