Maya Angelou: O amor pelos livros, de mãe para filho

Uma das minhas autoras favoritas é, sem dúvidas, Maya Angelou. É curioso como só vim a conhecê-la depois de adulta, com um encontro bastante ao acaso na livraria, quando essa fazia um “saldão” de livros na área de importados. Foi nessa seção que encontrei “Mamãe & Eu & Mamãe”, numa edição em inglês e de capa dura em promoção. Nunca tinha ouvido falar da autora, mas o título, “Mom & Me & Mom” certamente me chamou a atenção. Levei para casa o livro sem muita informação, numa compra quase distraída. E, anos mais tarde, após a leitura dessa e outras de suas obras, ela veio a se tornar uma das mais admiradas autoras por mim.

Quando adquiri “A vida não me assusta”, edição comemorativa de 25 anos*, pela Darkside, selo caveirinha, eu não comprei pensando no meu filho, que na época nem sabia que teria; comprei porque queria conhecer mais trabalhos da autora, porque uma edição com pinturas de Jean-Michel Basquiat também seria uma ótima oportunidade para conhecer mais sobre o artista.

E eis que agora, com quase 2 anos, “A vida não me assusta” veio a se tornar o livro favorito do meu filho, ou “livro do dadão (dragão)“, como ele chama.

A vida não me assusta é uma poesia de coragem, escrita por Maya Angelou, e que ganhou uma edição lindíssima com ilustrações de pinturas de Jean-Michel Basquiat. No Brasil, a Darkside lançou a obra pelo selo caveirinha, voltado para o público infantil.

Não vou esconder de vocês que meu coração chega a bater mais acelerado só de vê-lo tão entusiasmado com o livro. Ele me pede para ler repetidas vezes à noite, e até já decorou algumas partes, inclusive vive repetindo “Nada, nada (me) assusta”. Eu também já quase posso declamar o poema sem ter de olhar muito para as palavras, e estou achando essa uma experiência super valiosa e eternamente memorável.

Toda vez que termino de ler o poema, digo a assinatura também em voz alta: “Maya Angelou”, pra que ele aos poucos vá associando a autoria. Não é que quero torná-lo culto nem nada do tipo, mas é tão bom saber que ele vai crescer com uma referência que eu só vim a ter depois de adulta, depois de formada no ensino superior.

Sempre que posso também, gosto de ler para ele os versos em inglês, no original, para que ele ouça a mesma métrica, mas reproduzida num contexto diferente. Afinal, tradução de poemas (e de qualquer texto, na verdade), é uma obra por si só, que merece tanto prestígio quanto a obra original.

Como o livro conta com ilustrações de pinturas de Basquiat, também gosto de lembrar meu filho de que os desenhos que ele vê, inclusive do “dragão” que ele tanto gosta, são de um artista chamado Basquiat. Outro artista que só vim a conhecer depois de adulta.

É muito gostoso poder enriquecer o mundo do meu filho dessa forma. Mas o que mais gosto de ver mesmo, é o interesse dele por artes em geral, desde livros a quadros na parede, ele sempre gostou muito. Não é como se o estivéssemos forçando a interagir com livros e pinturas. São apenas objetos que já estavam presentes aqui em casa antes mesmo de ele ser parte de nossos planos, e que desde cedo víamos que ele lançava olhares muito compenetrados nas nossas paredes, e seus quadros, nos bordados artísticos do meu irmão, e assim que começou a se mover por conta própria e ter ao alcance um livro, quis folheá-los. Esse contato sempre permitimos, porque acreditamos ser saudável e estimulante.

O livro “A vida não me assusta” foi um dos primeiros que li pra ele, e ele provavelmente não se lembra e nem se lembrará disso, mas é de uma alegria enorme pra mim que hoje ele mesmo vá até o armário de livros dele e o apanhe e me peça para lê-lo. De alguma forma, que não sei explicar como ou por quê, Maya Angelou é atualmente, uma das autoras favoritas do meu filho também.

Como mãe, deixo, portanto, todas as minhas recomendações desse livro, nessa edição da “caveirinha”, para os pais que queiram ir montando a pequena biblioteca de seus filhos. Além de ser uma obra de arte tanto pelo poema que declama quanto pelas pinturas de Basquiat, o livro é pensado para crianças em todos os sentidos. Com capa dura de bordas arredondadas, ela facilita o manuseio do livro para os dedos ainda não tão habilidosos e impede que a criança se machuque, se fosse o caso de capa dura com aquelas bordas pontudas, sabe? E embora não seja um livro cartonado, o papel é de uma gramatura um pouco maior (80g) que dos livros convencionais que adultos leem, o que também dá mais resistência às páginas para que a criança o folheie.

Feliz em saber que meu amor pelos livros de alguma forma se encontra espelhada no meu filho. Pode ser só uma fase, não importa, o registro está feito para que um dia ele possa se defrontar com essa memória através dos meus olhos, das minhas palavras.


Dados Técnicos do Livro:

Título: A vida não me assusta
Capa dura: ‎48 páginas
Autora: Maya Angelou
Pinturas de: Jean-Michel Basquiat
Editora: ‎Darkside; 1ª edição (13 junho 2018)
ISBN-10: ‎ 8594541155 – ISBN-13: ‎ 978-8594541154
Título Original: Life doesn´t frighten me
Tradução: Anabela Paiva
Organização: Sara Jane Boyers
*25 anos da publicação original
Adquira o seu exemplar preferencialmente no site da editora.

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